- Um ataque aéreo liderado pela coalizão saudita atingiu Mukalla, no sul do Yemen, levando os Emiratos Árabes Unidos a anunciarem a retirada de suas forças do país por questões de segurança.
- A retirada dos EUA (Emirates) ocorreu após o ataque e de declarações de Riyadh de que a segurança nacional do país seria uma linha vermelha.
- O episódio expôs anos de desconfiança entre Arábia Saudita e Emirados, dois grandes produtores e aliados na região, com tensões sobre influência e quotas de petróleo.
- O avanço dos separatistas apoiados pelos Emirados no sul do Yemen, incluindo Hadramout, complicou a situação e acentuou a divergência sobre quem controla o território.
- A aproximação entre os dois países continua com conversas em curso desde dezembro e uma reunião virtual com outros membros da Opep + prevista para domingo, mantendo o foco em estabilidade regional e em reduzir riscos de escalada.
O ataque aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita atingiu Mukalla, no sul do Iêmen, nesta terça-feira, segundo relatos. A ofensiva ocorreu pouco depois de um gesto da Força Emiri de retirar seus militares do Iêmen, alegando segurança. A coalizão descreveu o ataque como parte de operações contra ameaças à segurança regional.
A retirada dos Emirados foi anunciada após a ofensiva, com o governo de Abu Dhabi dizendo ter ficado surpreso com o ataque e buscando proteger seus soldados. O movimento reforça a retirada de lastro militar dos Emirados no país.
A crise surge depois do avanço surpresa das forças apoiadas pelos Emirados no sul do Iêmen, que ampliou o controle da região de Hadramout. Esse avanço aproximou o STC das fronteiras com a Arábia Saudita, intensificando diferenças entre Riad e Abu Dhabi.
Disputas entre Arábia Saudita e Emirados vêm se acentuando em temas como quotas de petróleo e influência geopolítica. Fontes próximas às avaliações de Riad indicam que uma leitura equivocada de negociações em Washington em novembro ajudou a incendiar a escalada no Iêmen.
Interlocuções de alto nível entre Riad e Abu Dhabi seguem ocorrendo desde dezembro, porém sem resultados práticos no terreno. Analistas ressaltam que tensões entre os dois governos complicam decisões entre membros da OPEP+ que discutem produção.
Divergência sobre Sudão
Apesar de afirmarem buscar desescalada, Riyadh e Abu Dhabi mantêm posições divergentes em relação ao Sudão, país devastado pela guerra civil. O tema tem alimentado fricções entre os aliados do Conselho de Cooperação do Golfo.
O Quarteto formado por Arábia Saudita, Egito, EUA e Emirados liderou a diplomacia no Sudão, mas o conflito persiste. O governo dos Emirados nega apoio a qualquer lado da RSF, apesar de controvérsias internacionais.
Especialistas destacam que, apesar das tensões, aliados do Golfo costumam buscar caminhos de reconciliação. Observadores afirmam que conflitos no Iêmen e Sudão mantêm a cooperação estratégica entre os dois países, ainda que com atritos históricos.
Contexto recente no Iêmen
Após o avanço do STC, forças locais passaram a controlar áreas extensas no Hadramout, além de regiões próximas à fronteira com a Arábia Saudita. A coalizão continua atuando no território, com operações aéreas de repetição nos últimos dias.
Autoridades dos Emirados afirmaram buscar desescalar o conflito e sustentar a estabilidade no Iêmen, negando qualquer operação destinada a comprometer a segurança saudita ou suas fronteiras. A situação permanece sob monitoramento internacional.
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