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Mortes por raios em Bangladesh persistem com falhas de proteções governamentais

Mortes por raios permanecem em Bangladesh; falhas de proteção e atraso em obras deixam lavradores expostos durante a colheita no nordeste

Farmers of Bangladesh harvest ripe rice crop
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  • Sudhin Chandra Das, agricultor de Sylhet, no nordeste de Bangladesh, precisa trabalhar no campo aberto durante a colheita de arroz, mesmo com risco de raios; a região é muito propensa a tempestades.
  • A zona nordeste de Bangladesh registra entre 64 e 96 eventos fatais de raio por quilômetro quadrado por ano, segundo dados da última década.
  • Entre 2015 e 2024, pelo menos 3.485 pessoas foram mortas por raios; de janeiro até meados de junho de 2025, pelo menos 218 pessoas já haviam perdido a vida na mesma causa.
  • Medidas do governo incluem ressaltadores de raio, plantio de palmeiras e previsão climática; 336 ressaltadores estão em uso e houve planos de instalar 6.793 a mais, ainda não implementados; 300 ressaltadores foram instalados entre 2021 e 2022.
  • Projetos indicam abrigos para agricultores, plantações de palmeiras e uma abordagem de educação e conscientização, com foco em abrigos multipropósito próximos aos campos para reduzir mortes por raios.

O Bangladesh sofre com fatalidades causadas por descargas elétricas há anos. Famílias rurais, como Sudhin Chandra Das, sofrem ao trabalhar em campos abertos durante a temporada de colheita do arroz, quando tempestades são comuns.

Sudhin vive na região de Sylhet, onde o risco é elevado. Dados indicam que a zona nordeste registra de 64 a 96 mortes por raio por quilômetro quadrado a cada ano, colocando a população agrícola em alerta constante.

Em 18 de abril deste ano, ao menos 13 pessoas morreram por raios em todo o país, com cinco mortes em Sunamganj, conforme relatos locais. A média anual de óbitos por raios no país fica em torno de 300.

Mudanças no governo, alarmes precoces e estruturas artificiais foram adotadas, mas as ações não evitaram mortes. A estatística do Department of Disaster Management aponta milhares de vítimas entre 2015 e 2024.

O governo classificou raios como desastre natural em 2016. Reservas de arrestadores, planejamento de palmáceas e previsões climáticas foram implementados, porém com eficácia ainda questionada, especialmente na zona rural.

Desafios na proteção

Especialistas apontam falhas de preparo institucional e de conscientização pública como fatores centrais. Pesquisas associam as fatalidades a práticas agrícolas pesadas e alta exposição populacional.

Segundo o pesquisador Ashraf Dewan, a falta de comunicação eficaz e de infraestrutura adequada contribui para o alto número de mortes, apesar de compararmos com quedas de mortes por ciclones.

Até o momento, a rede de arrestadores instalada é insuficiente: apenas 336 equipamentos operacionais. Planos para ampliar o sistema foram anunciados, mas não executados.

Caminhos propostos

O governo indicou medidas para reforçar a proteção, como abrigos para agricultores, novas instalações de arrestadores e incremento de palmeiras para dispersar descargas. Também há previsão de ampliar sensores de alerta.

Analistas destacam que alertas precoces via redes sociais nem sempre salvam vidas, já que muitos produtores operam sem smartphones. A educação sobre nuvens de tempestade é citada como essencial.

Produtores locais sugerem abrigos próximos aos campos para quem estiver no meio da lavoura. Especialistas ressaltam que abrigos multipropósito devem ser erguidos em pontos estratégicos para reduzir deslocamentos rápidos.

As autoridades citam a construção de abrigos com padrões internacionais e a priorização de zonas vulneráveis, especialmente no nordeste, onde o risco é maior durante a temporada de plantio e colheita.

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