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Derramamentos em manguezais da Nigéria: Shell manteve operações, documentos

Documentos internos revelam que a diretoria da Shell sabia, desde 2008, dos riscos ambientais do duto Nembe Creek, mas manteve as operações

Global oil giant Shell continued operating a compromised pipeline in Nigeria’s Niger Delta despite knowing it posed a pollution risk in the surrounding coastal wetland environment, newly disclosed internal company communications reveal.
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  • Documentos internos revelam que a Shell sabia, desde 2008, que o Nembe Creek Trunk Line operava fora dos padrões técnicos, mas decidiu manter a produção.
  • A tubulação, com oito quilômetros de extensão arenicados em 97 quilômetros, transporta cerca de 150 mil barris de petróleo por dia com destino ao terminal de exportação em Bonny Island, no estado de Rivers.
  • Spills provocados por furtos ao longo dos anos degradaram grande parte do manguezal ao redor da comunidade ribeirinha de Bille, deixando hectares devastados e atingindo a vida aquática.
  • Em 2013, documento interno classificou trechos adulterados como “vermelhos”, exigindo encerramento imediato ou remoção de ligações ilegais; a empresa afirmou que ataques de gangs foram a principal causa dos derramamentos.
  • A disputa legal, iniciada em 2015 pela comunidade de Bille contra a Shell e a SPDC, deve levar o caso a júri na primeira semana de 2027, com pedidos de limpeza completa e compensação.

Global Shell manteve operação em uma linha de oleoduto no delta do Níger, Nigéria, mesmo sabendo dos riscos de poluição para o manguezal costeiro, de acordo com comunicações internas recentemente reveladas.

As mensagens e memorandos, analisados pela Mongabay, indicam que líderes sêniores tinham conhecimento sobre as más condições da Nembe Creek Trunk Line, com 97 quilômetros, já em 2008. Mesmo sinais de que a infraestrutura operava fora de padrões, foi mantida a pressão de seguir bombeando.

A Nembe Creek Trunk Line transporta cerca de 150 mil barris de petróleo por dia até o terminal de exportação na Bonny Island, no estado de Rivers. O oleoduto tem histórico de desvios e furtos que geraram numerosos spills no ecossistema de manguezais da região.

Comunidades da região afirmam que os derramamentos provocaram a devastação de milhares de hectares de manguezais ao redor da vila de Bille, e afetaram áreas extensas que incluem rios e áreas alagadiças. A narrativa local aponta queda na vida aquática e na pesca tradicional.

Em 2013, um documento interno da Shell classificou linhas adulteradas como de alto risco e recomendou medidas imediatas, incluindo o desligamento ou a remoção de pontos ilegais de acesso. A empresa publicou que os danos decorrem, em parte, de gangues criminosas que atuam na região.

A comunidade Bille ingressou em ação judicial contra a Shell e a antiga SPDC, em 2015, alegando responsabilidade pelos derramamentos ocorridos entre 2011 e 2013. Nesse mesmo ano, a Shell vendeu a linha de óleo.

Segundo a defesa, documentos internos mostram que a liderança da Shell, tanto em Londres quanto na Nigéria, tinha conhecimento sobre os impactos ambientais e as operações na área. A ação está prevista para início de 2027 no tribunal.

Análises de pesquisadores indicam que a região de Bille é considerada um foco de degradação de manguezais no delta oriental. Estudos associam a degradação ambiental a altos índices de derramamentos de óleo na década passada, com impactos na biodiversidade local.

A Shell nega que a responsabilidade recaia apenas sobre a companhia, argumentando que a poluição decorreu principalmente de furtos, sabotagens e refino ilegal coordenados por terceiros. A empresa afirma ter atuado com autoridades, governos locais e comunidades para mitigar danos.

A disputa judicial busca esclarecer responsabilidades e determinar medidas de limpeza e compensação para as comunidades afetadas. Bille, com cerca de 30 mil residentes, vive de atividades ligadas aos rios e aos manguezais, que são parte de sua identidade cultural.

O Delta do Níger permanece como área de alto risco ambiental, com infraestrutura petrolífera espalhada por áreas alagadas e ecossistemas sensíveis. Pesquisas destacam a importância de soluções técnicas e de segurança para mitigar novos incidentes.

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