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A guinada tecnocrática que traz esperança para Gaza

Comitê tecnocrata liderará reconstrução de Gaza sob coordenação internacional, buscando desmilitarização gradual, recuperação de serviços e criação de empregos

People walk past a heavily damaged building in Gaza City on Nov. 10, 2025.
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  • Ali Shaath, engenheiro civil palestino, vai chefiar o comitê técnico que começará a reconstrução de Gaza e a recomposição de instituições.
  • O projeto é liderado pela Board of Peace, com participação de países e entidades, e busca desmilitarizar o território em etapas, liberando o caminho para a reintegração política.
  • Prioridades iniciais incluem reparar sistemas de água e esgoto e remover cerca de 60 milhões de toneladas de escombos; há expectativa de investimento superior a 25 bilhões de dólares e criação de mais de 500 mil empregos.
  • A operação envolve coordination center civil-militar próximo de Gaza, com monitoramento por drones e apoio de forças de diversos países; cerca de quatro mil e quinhentos caminhões de ajuda chegam semanalmente.
  • Hamas precisará entregar túneis, armas e mapas, com desarmamento recompensado por anistia e reintegração; o plano implica que, pelo menos, parte do poder seja transferida para uma autoridade palestina reformada.

O que aconteceu: um comitê tecnocrata liderado por Ali Shaath assume a reconstrução de Gaza, com um marco inicial na próxima semana. A iniciativa ocorre em meio à organização do Board of Peace, criada para supervisionar a transição administrativa. O objetivo é restaurar serviços, instituições e oportunidades para os habitantes de Gaza.

Quem está envolvido: Ali Shaath, engenheiro civil palestino, preside o comitê nacional. Jared Kushner, assessor próximo ao ex-presidente dos EUA, coordena o lançamento do programa. O comitê conta com participação de membros de várias frentes, incluindo representantes de Qatar e Turquia, além de cooperação internacional.

Quando e onde: o início da operação está previsto para a próxima semana, em Gaza, com apoio de instalações ao leste da Faixa, em áreas administradas pela coalizão civil-militar. O projeto envolve mais de 20 países sob a supervisão de autoridades americanas.

Por quê: a meta é criar uma alternativa à influência de Hamas, por meio de uma transição para governação dominada pela população local, com foco na reconstrução de infraestruturas, demilitarização e construção de serviços públicos.

A estrutura de implementação: a prioridade inicial é reparar sistemas de água e saneamento e remover 60 milhões de toneladas de escombros. Paralelamente, o comitê deve desmilitarizar o território e substituir a presença militar por uma polícia local treinada.

Ações, coordenação e financiamento

A operação contará com uma coordenação civil-militar, baseada em um centro de comando próximo a Gaza, estabelecido pela CENTCOM dos EUA. Drones e monitoramento deverão acompanhar a entrega de ajuda humanitária, que hoje chega a cerca de 4.200 caminhões por semana, segundo o Board of Peace.

O apoio internacional envolve uma resolução da ONU que respalda a gestão transitória até a reformulação de uma autoridade palestina. O diretor-geral escolhido foi Nickolay Mladenov, com Shaath à frente do comitê de administração de Gaza, em conjunto com autoridades egípianas.

Desafios e perspectivas

Especialistas ouvidos mencionam que a desmilitarização em duas fases — armas pesadas primeiro, depois armas de pequeno porte — é crucial para estabelecer o monopólio da força pela nova administração. A viabilidade depende de cooperação de grupos que apoiam o Hamas e de financiamentos estimados em dezenas de bilhões de dólares.

Essa leitura da reconstrução ressalta um plano com maior ênfase em implementação ordenada do que em propostas anteriores. O esforço é visto como a chance mais realista de guiar Gaza para governança liderada pela sua população, com participação internacional substantiva.

Este texto é uma síntese de reportagem publicada originalmente no Washington Post e reproduzida neste portal como parte da linha editorial de David Ignatius.

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