- Motoristas de bonde de Milão foram afastados enquanto a promotoria investiga um grupo no WhatsApp que seria usado para comentar de forma sexista imagens de passageiras.
- A promotoria colocou sob investigação pelo menos um empregado da empresa de transportes de Milão (ATM) por supostamente acessar um sistema de informática sem autorização e hackear câmeras de CCTV para obter as imagens.
- Buscas foram determinadas nas casas de cinco outros funcionários e a apreensão de celulares e outros dispositivos.
- As imagens teriam sido retiradas de câmeras de CCTV instaladas nos bondes e usadas para fazer comentários sobre pernas, rostos, seios e coxas de passageiras.
- A denúncia foi acionada após uma mulher que circulava na linha onze e quinze perceber a conversa no telefone de um motorista fora de serviço e enviar a captura a uma ativista feminista, que informou a ATM.
Um grupo de motoristas de bonde de Milão foi afastado de suas funções enquanto a promotoria investiga uma conversa em WhatsApp na qual supostamente haveria troca de comentários sexistas sobre imagens de passageiras. A investigação envolve a empresa municipal de transportes ATM.
Segundo as autoridades, ao menos um funcionário da empresa foi colocado sob escrutínio por supostamente acessar um sistema de TI sem autorização e hackear câmeras de CCTV para obter imagens de passageiras. Buscas em casa de cinco outros motoristas também foram autorizadas, com apreensão de celulares e outros dispositivos.
A denúncia teve origem após uma mulher que viajava no bonde número 15, no fim de semana, notar um motorista fora de serviço, ainda com o uniforme, observando uma conversa em seu celular que incluía imagens e comentários sobre os corpos de mulheres. Ela fotografou a tela e enviou a evidência a uma ativista, que repassou aos profissionais da ATM.
A ATM informou estar conduzindo uma apuração interna para esclarecer o episódio, verificar o uso adequado de ferramentas da empresa e proteger clientes e funcionários. Ainda não ficou claro se as imagens vieram de CCTV de um único bonde ou de vários, nem se o compartilhamento ocorreu fora do grupo.
Codacons, órgão de defesa do consumidor, ajuizou uma queixa formal aos promotores de Milão, afirmando que o caso é grave e pode abrir caminho para ações de reparação civil. Lideranças sindicais do transporte também destacaram a necessidade de respeito à dignidade e à igualdade de gênero.
O tema de misoginia online é recorrente na Itália. Em episódios anteriores, houve indignação após reports sobre imagens manipuladas envolvendo figuras públicas, inclusive a primeira-ministra Giorgia Meloni, o que gerou discussões sobre responsabilidade digital e proteção de mulheres.
Entre na conversa da comunidade