- O vereador Salvino Oliveira Barbosa, do PSD e ex-secretário municipal da Juventude, foi preso pela Polícia Civil por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
- A operação Contenção Red Legacy busca desarticular a estrutura nacional da facção; até o momento, seis criminosos foram presos, incluindo o vereador.
- A investigação aponta negociações entre Salvino e o traficante conhecido como Doca para autorizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, região controlada pelo grupo, em troca de benefícios apresentados como ações à população.
- Familiares de Marcinho VP aparecem no funcionamento da organização: Márcia Gama atua na intermediação fora do sistema prisional e Landerson atua como elo entre lideranças, mas ambos são foragidos.
- O esquema também identificou uso de pessoas que se passavam por policiais para obter vantagens, além de indicar uma rede com conselho nacional e cooperação entre facções, com investigações em andamento.
Salvino Oliveira Barbosa, vereador do Rio de Janeiro pelo PSD e ex-secretário municipal da Juventude, foi preso nesta quarta-feira pelas autoridades civis. A prisão faz parte da operação Contenção Red Legacy, destinada a desarticular o Comando Vermelho, facção criminosa com atuação interestadual. A polícia aponta tentativa de interferência política em áreas controladas pelo grupo, visando transformar territórios em base eleitoral.
De acordo com as investigações, o vereador teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para campanha na comunidade Gardênia Azul, sob domínio do Comando Vermelho. Em contrapartida, o parlamentar seria responsável por articular benefícios apresentados como ações públicas para a população local.
A Polícia Civil informou que os benefícios incluíram a instalação de quiosques na região, com a definição de beneficiários supostamente determinada por membros da facção, sem transparência. O gabinete do vereador afirmou que não recebeu informações oficiais sobre o ocorrido e que a assessoria jurídica aguarda esclarecimentos das autoridades.
Red Legacy
Policiais da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro deflagraram a operação para desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho. A corporação disse ter reunido provas sobre o funcionamento interno da facção, com cadeia de comando, divisão territorial e articulações entre estados.
Até o momento, seis criminosos foram presos, incluindo o vereador do Rio de Janeiro. A investigação aponta a atuação de familiares de um histórico líder da facção no funcionamento da organização. Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, seria ponte entre interesses do grupo fora do sistema prisional.
Outro investigado de destaque é Landerson, sobrinho de Marcinho VP, apontado como elo entre lideranças, membros em comunidades dominadas pelo grupo e operadores econômicos que abastecem a facção. Márcia e Landerson são considerados foragidos.
Marcinho VP
As apurações também revelam participação de pessoas que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, com vazamento de informações e simulação de operações. A Polícia Civil ressaltou que tais condutas traem a instituição e não representam a totalidade dos profissionais de segurança pública.
A apuração indica uma estrutura criminosa complexa, com conselho nacional, conselhos regionais e cooperação entre organizações de diferentes estados, incluindo indícios de interação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. O caso segue em andamento.
Fornecedores de informações e operações financeiras e logísticas aparecem entre os alvos da investigação. Doca, conhecido como líder nas ruas, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, aparecem como peças-chave da organização, conforme levantado até agora.
As diligências continuam para aprofundar a responsabilização penal de todos os envolvidos e ampliar o combate às estruturas de comando, finanças e operações da facção criminosa, com vistas a reduzir impactos em comunidades dominadas pelo grupo.
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