- Síria busca substituir o estreito de Hormuz como via de trânsito e logística, propondo uma rota terrestre que conectaria Ásia a Europa via o Oriente Médio.
- Durante a Cúpula em Chipre, o governo apresentou o projeto “Quatro Mares” para ligar mediterrâneo, mar Negro, mar Cáspio e Golfo, tornando a Síria um elo de conectividade comercial.
- O país tem sido convidado a participar de cúpulas do G-7, sinalizando relevância internacional para a recuperação e reconstrução.
- Há a criação de um corredor regional envolvendo Síria, Jordânia e Turquía, com a Arábia Saudita estudando uma linha ferroviária rápida para levar alimentos por Syria e Jordânia até Arar.
- Mesmo com promessas e acordos, a reconstrução exige centenas de bilhões de dólares e levará anos, em meio a tensões com o Irã e ações militares de Israel que aumentam incertezas.
Syria promove a ideia de substituir o estreito de Hormuz como eixo logístico, apresentando o país como um novo corredor de energia e comércio entre Ásia e Europa. A proposta surge na esteira da guerra com o Irã e da busca por reconstrução.
Após a queda do regime de Bashar al-Assad em 2024, o governo interino iniciou uma linha de política externa de “zero problemas”, visando aliviar o isolamento e atrair investimentos. Em 2025, pelo menos 28 bilhões de dólares em acordos foram apresentados por países do Oriente Médio; em 2026, novos investimentos foram anunciados.
O foco de orientação estratégica é tornar a Síria um hub de trânsito terrestre, reduzindo a dependência do estreito de Hormuz. A ideia é ampliar transportes por ferrovia, rodovia e oleodutos que conectem o Mediterrâneo, o Mar Negro, o Caspiano e o Golfo.
O ministro das Finanças foi convidado para uma cúpula do G7 em maio, e o ex-chanceler Ahmed al-Sharaa foi convidado para a cúpula do G7 em meados de junho, sinalizando a relevância internacional da oferta síria para estabilidade regional.
Em abril, durante uma cúpula de emergência da União Europeia em Chipre, Sharaa afirmou que a Síria pode ser “ponte para a segurança” e parte da solução energética europeia, destacando o projeto Four Seas para ligações comerciais e logísticas entre o Mediterrâneo, o Mar Negro, o Caspiano e o Golfo.
Cyprus também viu a proposta de criar uma rede de conexões por trilhos, estradas e oleodutos que ativaria o antigo projeto Four Seas, ligando as rotas marítimas à Europa por via terrestre. A ideia depende de avanços em acessos a portos do leste do Mediterrâneo e do Caspiano.
A viabilidade exige anos e enormes recursos para reconstrução. Hoje, a Síria enfrenta déficits significativos para pagar servidores públicos; o orçamento de reconstrução é estimado em centenas de bilhões de dólares.
Mesmo assim, a rota terrestre poderia complementar o transporte marítimo, que hoje movimenta grandes volumes de petróleo, gás liquefeito e fertilizantes no mundo. A crise no Hormuz já elevou os custos de seguro para navegação, tornando alternativas terrestres mais atrativas.
Paralelamente, governos regionais discutem corredores de comércio. Ciudades na região estudam o uso da Síria como passagem para exportar petróleo iraquiano e, segundo relatos, estados do Golfo também avaliariam esse movimento via portos do Mediterrâneo.
A Síria tem apoio de investidores grandes da região, como Arábia Saudita e Qatar, que já firmaram acordos em energia e transporte. A crise energética do Golfo intensifica interesse em novas rotas de suprimento e conectividade com a Europa.
O governo americano também aparece como fator relevante, com sanções alividas, apoio político e entrada de empresas de energia no mercado sírio, incluindo Chevron e ConocoPhillips. O governo de Washington também sinaliza manter a designação do regime sírio como patrocinador do terrorismo?
A escalada de Israel na região complica o cenário. Nos últimos dias, operações militares israelenses em território sírio aumentaram, elevando o risco de desestabilização adicional e de danos a oportunidades econômicas de longo prazo.
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