- Peter Navarro, assessor da Casa Branca, afirma em relatório de 13 páginas que neutralizar o Irã poderia reduzir o preço do petróleo ao eliminar o “premium de terrorismo” que, segundo ele, elevou o preço por cerca de cinco a quinze dólares por barril devido ao risco na rota estratégica do Estreito de Hormuz.
- O rascunho do relatório, visto pela Reuters, sustenta que o risco geopolítico envolvendo o Irã elevou os preços internacionais de petróleo por décadas; economistas de energia, como Ed Hirs, contestam a existência de evidências verificáveis do prêmio e apontam custos de ações militares não considerados.
- Recentes ataques de forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã já provocaram oscilações nos mercados de energia, com altos nos preços do petróleo e aumento nos combustíveis nos Estados Unidos.
- O documento defende que reduzir a capacidade do Irã de ameaçar infraestrutura energética pode diminuir ou eliminar o prêmio geopolítico nos preços do petróleo, levando-os a se aproximarem de níveis de equilíbrio, potencialmente abaixo de sessenta dólares por barril sob as condições atuais de oferta.
- O relatório estima que riscos ligados ao Irã já elevaram os preços entre sete e vinte e um por cento acima dos fundamentos, reduzindo a produção global entre zero vírgula um e zero vírgula quatro por cento ao ano, com impacto acumulado de mais de dez trilhões de dólares em vinte e cinco anos; Hirs questiona esse cenário e ressalta custos de conflitos.
Em Palm Beach, Florida, no dia 16 de março, o assessor da Casa Branca Peter Navarro apresentou, em relatório a ser divulgado, a ideia de que neutralizar o Irã poderia tornar o petróleo mais barato, já que o Irã seria responsável por um “prêmio terror” que elevou os preços globais por décadas.
Segundo o texto de 13 páginas, as tensões com Teerã teriam adicionado entre US$ 5 e US$ 15 por barril aos preços, devido ao risco de ataques ou interrupções no estreito de Hormuz, rota crucial de passagem do petróleo.
O relatório foi visto pela Reuters em um rascunho preparado pelo escritório de Comércio e Indústria da Casa Branca. O documento sustenta que reduzir a capacidade do Irã de ameaçar infraestrutura energética poderia cortar esse prêmio geopolítico.
Analistas ouvidos pela reportagem divergem. Ed Hirs, economista de energia da Universidade de Houston, disse não ter visto o relatório oficial e questionou a existência de evidência verificável do prêmio, além de apontar custos de ações militares.
Operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã já impactaram os mercados de energia, elevando preços do petróleo e o custo da gasolina para consumidores americanos. Esses movimentos podem influenciar a agenda econômica doméstica de Trump.
O relatório sustenta ainda que uma queda do risco geopolítico ligado ao Irã ajudaria a derrubar o premissos sobre o preço do petróleo, aproximando-os de níveis de equilíbrio sob as condições atuais de oferta.
Estimativas anteriores do documento apontam que os riscos relacionados ao Irã teriam elevado preços entre 7% e 21% acima do que fundamenta a oferta global, com impactos econômicos anuais de até US$ 450 bilhões.
A análise afirma que, ao reduzir esse risco, a produção global poderia crescer com maior eficiência, refletindo em preços possivelmente abaixo de US$ 60 por barril, caso as condições de oferta permaneçam estáveis.
Hirs contestou a projeção de preços abaixo de US$ 60. Ele citou dados do Federal Reserve que indicam que produtores norte-americanos precisam de cerca de US$ 70 por barril para equilíbrio de contas.
O economista acrescentou que custos potenciais de conflito militar costumam ser subestimados em estudos sobre preços do petróleo. Em sua visão, o custo de se obter qualquer objetivo político costuma recair no orçamento público.
As autoridades não divulgaram detalhes adicionais do relatório além do rascunho, e não há confirmação externa sobre a metodologia usada para estimar o chamado prêmio de terrorismo. A avaliação completa deve ser publicada nos próximos dias.
- Fontes: Reuters, relatório não finalizado da Casa Branca.
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