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Tatiana Sampaio, pesquisadora da Polilaminina, relembra o reconhecimento

Anvisa autoriza estudo clínico da polilaminina em humanos; resultados preliminares indicam recuperação de movimentos em paraplégicos, com investimento de R$ 100 milhões

Tatiana Sampaio é um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil de 2026
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  • Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, coordena estudo de polilaminina, uma rede de proteínas para possível reversão de lesões na medula.
  • Testes em humanos foram autorizados pela Anvisa em janeiro, com expectativa de avaliação de segurança e possibilidade de uso em até cinco anos, se as fases forem bem-sucedidas.
  • O projeto começou na década de noventa e, sem patrocínio industrial inicial, passou a contar com parceria da Cristália em 2021, com investimento de cerca de R$ 100 milhões.
  • Em estudo clínico preliminar divulgado em setembro, parte dos pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperou movimentos; um deles voltou a andar, cinco meses após a aplicação.
  • Nos animais, houve sinais de melhoria em cães após a aplicação, com efeitos visíveis em dois meses e maior estabilidade em cinco a seis meses, variando conforme o tipo de lesão.

Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, ganhou visibilidade ao divulgar resultados preliminares da polilaminina, uma rede de proteínas que criou, com potencial para reverter lesões na medula. Ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da universidade.

A pesquisa tem início em 1998, passou por etapas com células, ratos e cães, e recebeu apoio da Cristália desde 2021. O projeto já investiu cerca de 100 milhões de reais e mira aplicações terapêuticas para pacientes com lesão medular.

Em setembro, um teste preliminar em humanos mostrou que seis de oito pacientes paraplégicos ou tetraplégicos recuperaram parte dos movimentos, com um caso inclusive retornando a andar.

Progresso e financiamento

A equipe de Tatiana explica que a polilaminina reorganiza a laminina natural para recriar malhas que orientam a regeneração de axônios no sistema nervoso. O foco envolve diferentes isoformas de laminina, adaptadas a cada tecido.

O estudo clínico oficial recebeu autorização da Anvisa em janeiro para avaliar a segurança do uso da polilaminina em humanos. Se confirmado, o medicamento poderá chegar ao mercado em até cinco anos, sujeito a novas aprovações.

A produção em grande escala permanece complexa. A Cristália concentra investimentos tecnológicos para viabilizar a fabricação da polilaminina, algo considerado desafiador para pesquisadores isolados.

Trajetória e impactos

Tatiana, de 59 anos, mantém atividades docentes na UFRJ desde os 28, e comenta que a visibilidade trouxe empolgação entre os alunos. Ela descreve a experiência como desafiadora, com responsabilidade aumentada, mas sem perder a prática de ensino.

Numa visão biográfica, a pesquisadora atribui a trajetória à influência da família, com tias e avó cientistas, e a um caso de sucesso de aplicação clínica que exigiu persistência, parceria institucional e financiamento alternativo.

Nos bastidores, a equipe destacou que o progresso em animais ocorreu após fases de segurança e eficácia. Nos cães, os resultados variam por tipo de lesão, com sinais de melhora observados entre dois e seis meses após a aplicação, em alguns casos levando à recuperação de movimentos.

Olhar internacional e próximos passos

Pesquisas externas sobre laminina existem, mas não trazem necessariamente a mesma polilaminina. A equipe brasileira enfatiza a necessidade de investimento industrial para ampliar a produção e manter o ritmo de pesquisa.

Ainda sem conclusão, o objetivo é confirmar a eficácia clínica e avançar pelas fases regulatórias. A equipe segue monitorando indicadores de segurança, eficácia e qualidade de vida para pacientes com lesões medulares.

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