- O novo ministro da Cultura do governo reconhecido no sul do Iêmen busca recuperar o patrimônio diante de saques, sítios desprotegidos e anos de conflito.
- Dammaj negocia acordos internacionais com Alemanha, Estados Unidos, Suíça e França para devolver artefatos, mas depende de prioridade governamental e de museus mais seguros, com orçamento mensal do departamento de museus inferior a US$ 1 mil.
- Esforços locais aparecem em eventos como a cúpula de cultura no Hadhramaut, a semana cultural em Aden e uma conferência em Taiz, além da reabertura do cinema de Aden.
- Mulheres têm papel central na preservação, liderando equipes e transmitindo conhecimentos para a próxima geração, impulsionadas por programas da Unesco.
- Desafios persistem: mudanças climáticas afetam sítios e infraestrutura, pobreza alimenta o saque, a presença da Unesco no norte é limitada e há carência de educação técnica entre profissionais de restauração.
Mutte Ahmed Qasem Dammaj assumeu o cargo de ministro da Cultura do governo reconhecido internacionalmente ao sul do Iêmen. O país enfrenta saques, sítios arqueológicos sem proteção e uma sociedade abalada por mais de uma década de guerra. Em entrevista ao The Art Newspaper, ele afirma que há avanços e que o turismo cultural pode não apenas recuperar recursos, mas reconstruir narrativas.
Ações recentes mostram uma retomada de atividades culturais, como uma cúpula em Hadramaut, uma semana de cultura em Aden e uma conferência sobre patrimônio em Taiz durante o Dia Mundial do Patrimônio. Em Taiz, a cidade histórica continua a sofrer danos, mas projetos de restauração ganham impulso com investimentos privados.
Um dos primeiros objetivos de Dammaj é firmar acordos internacionais para devolver artefatos traficados. Negociações já ocorrem com Alemanha, EUA, Suíça e França, porém dependem de aprovação interna do governo. O orçamento do departamento de museus é de menos de US$ 1 mil por mês, o que complica a recepção de objetos de volta ao país.
A realidade de Taiz, marcada por décadas de cercos, mostra impactos graves. Em 2015, fortes ataques destruiram parte do castelo Al Qahira; a biblioteca nacional teve conteúdos queimados e o santuário Sheikh Abdulhadi al-Sudi foi perdido. Danos também atingem outras regiões, como Aden, Hadhramaut e Sana’a.
Para especialistas, mulheres têm papel cada vez mais relevante na área. No encontro de Taiz, no curto espaço de dois dias, várias profissionais da área estiveram presentes, incluindo engenheiras e arqueólogas. O empoderamento feminino, com apoio UNESCO, amplia a participação na restauração de estruturas históricas como a marna’a, sistema tradicional de levantamento de água.
O desafio ambiental agrava a preservação: desertificação, erosão e chuvas intensas afetam desde esculturas em alvenaria de adobe até peças do patrimônio. A pouca educação formal entre trabalhadores locais dificulta a restauração de técnicas tradicionais. A rede internacional de apoio diminuiu nos últimos anos, com queda de doações e mudanças administrativas.
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