- O PT propôs ao PSOL uma federação, que divide o partido e deixaria o grupo ligado a Guilherme Boulos isolado dentro da sigla, com votação prevista para sábado, sete de março.
- A votação é proporcional ao número de afiliados de cada corrente; Revolução Solidária tem cerca de vinte por cento dos filiados, e enfrenta resistência de correntes como Primavera Socialista, Movimento Esquerda Socialista e Fortalecer.
- Em twenty-ers, quarenta e sete filiados deixaram a Revolução Solidária, alegando mudança de estratégia para aproximar Boulos de Lula em 2030.
- Há setores no PSOL que acreditam que Boulos pode querer deixar a legenda; outros defendem que não é uma racha, apenas disputa política pontual, com apoio de Erika Hilton e Dani Monteiro.
- Questionamentos úteis incluem cláusula de barreira e regras de quociente partidário, que afetam vagas, recursos e candidaturas; o PSOL teme ficar refém de posições do PT caso entre na federação.
O debate sobre a possibilidade de o PSOL formar uma federação com o PT ganhou contornos internos na sigla. A definição sobre o tema ficou para o próximo sábado, quando 17 correntes terão voto proporcional ao número de filiados. O convite foi feito na última semana, segundo a direção.
A corrente Revolução Solidária, ligada a Guilherme Boulos, é a única favorável à federação, mas representa apenas 20% dos filiados. Outras correntes que se opõem têm peso maior na decisão, como Primavera Socialista (25%), Movimento Esquerda Socialista (20%) e Fortalecer (10%).
Na terça-feira (3), 47 filiados deixaram a Revolução Solidária. Em nota, eles afirmaram que houve mudança de estratégia por parte de Boulos e do núcleo e que o objetivo de aproximar o ministro de Lula para possível indicação em 2030 passou a prevalecer, segundo o relato.
Parte dos deputados do PSOL teme que Boulos pretenda deixar a legenda. Analistas internos comparam a situação a uma tentativa de cavar um favoritismo, temendo que o ministro busque herdar o eleitorado de Lula, que deve concorrer à reeleição. O partido aprovou uma resolução para evitar vínculos na Esplanada, mas essa posição pode ser revisada.
Há ainda defensores da federação dentro do PSOL que veem a aliança como estratégia para a esquerda. Apoiadores citam apoio à federação como forma de ampliar a atuação parlamentar em estados e enfrentar a direita, destacando nomes como Erika Hilton e Dani Monteiro entre os que apoiam a ideia.
O PT afirma que a federação proposta busca promover uma agenda para o Brasil sem comprometer a autonomia do PSOL. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que a iniciativa acompanha o movimento de outras siglas e pretende evitar atritos. A oposição interna dentro do PSOL vê o convite como fonte de constrangimento público.
Até o fechamento da reportagem, Boulos não havia comentado oficialmente o assunto. A Rede, relacionada ao PSOL, informou que pode não acompanhar o movimento dependendo da forma como avançar a federação, sugerindo possível reavaliação de alianças em coligações futuras.
Para aliados, a federação seria uma resposta estratégica diante da cláusula de barreira prevista para 2026. A regra atual determina que o quociente partidário e o número de vagas dependem do desempenho de federações, o que pode impactar a projeção eleitoral do PSOL.
A pauta envolve também a cláusula de barreira, que exige 2,5% dos votos válidos e representação mínima em estados para manter recursos da legenda. A federação mudaria a responsabilidade de atingir metas exclusivamente ao PSOL para a entidade formada pela aliança.
O debate no PSOL também envolve impactos práticos, como limites de candidaturas em cada disputa e a necessidade de manter a independência do partido diante de alianças com PT, PCdoB e PV, o que pode influenciar palanques em cidades e estados.
Segundo fontes internas, a oposição teme que a identidade do PSOL seja diluída caso a federação seja adotada, com especialistas destacando vulnerabilidade em cenários de eleições locais no interior. O tema permanece em avaliação até a próxima votação.
Fontes consultadas indicam que a decisão final será tomada com base no resultado da votação entre as correntes do PSOL, sem adiamento. O desfecho pode redesenhar o tabuleiro político da esquerda para as eleições de 2026.
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