- Cabo Verde vota neste domingo para o Parlamento e para o cargo de primeiro-ministro, em pleito com cinco partidos e marcado por tensões políticas.
- O atual chefe de governo, Ulisses Correia e Silva, do Movimento para a Democracia (MpD), enfrenta Francisco Carvalho, prefeito da Praia, do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).
- São mais de quatrocentos mil eleitores registrados; o pleito coincide com a comemoração de trinta e cinco anos da transição democrática e cinquenta da independência, completados em 2025.
- As propostas destacam economia e emprego: MpD promete aumento do salário médio em trinta por cento, salário mínimo de US$ 267 e maior segurança; PAICV defende acesso à saúde, ensino superior gratuito e redução da inflação, além de melhoria de transportes.
- Observadores internacionais — cento e cinquenta a cento e sessenta — acompanham o processo; na ilha de Santiago, onde ficam 33 dos 72 assentos, haverá maior atenção, e os residentes no exterior, correspondentes a cerca de dezessete por cento do total, elegem seis deputados.
Cabo Verde realiza neste domingo eleição para o Parlamento e a escolha do primeiro-ministro. O pleito ocorre em meio às celebrações dos 35 anos da transição democrática e dos 50 da independência, com mais de 400 mil eleitores registrados em disputa por cinco partidos. O atual chefe de governo é Ulisses Correia e Silva, do MpD, enfrentando o rival de centro-esquerda Francisco Carvalho, prefeito de Praia.
A votação acontece no país que vive cenário de polarização nas pesquisas, com vantagem inicial para o MpD sobre o PAICV. No entanto, analistas destacam índices elevados de indecisos e possibilidade de abstenção impactarem o resultado, num contexto de preocupação com o engajamento cívico.
Tensões políticas marcam a campanha. O PAICV recusou participar de um debate televisivo, acusando o MpD de uso de recursos estatais para favorecer a candidatura. O MpD rebateu, acusando Carvalho de contornar a lei ao concorrer sem deixar o cargo de prefeito, optando por nomear um substituto temporário.
Contexto político e participação
O tema da segurança vem ganhando corpo no confronto entre as siglas, com o MpD promovendo continuidade de políticas econômicas. O partido aponta crescimento econômico recente, com redução do desemprego e recuperação do turismo, que representa 20% do PIB.
Em 2025, Cabo Verde registrou crescimento de 7,2%. O país possui um dos maiores PIBs per capita da África, estimado em US$ 4.475 (aproximadamente R$ 22.800). Entre as promessas do MpD estão aumento salarial médio, fixação do salário mínimo e fortalecimento da segurança pública.
O PAICV lançou a bandeira Cabo Verde para Todos, ampliando acesso à saúde, ensino superior gratuito e controle da inflação. Também defende melhoria das ligações entre ilhas, com reestruturação dos transportes marítimos e aéreos, além de reduzir custos para moradores.
Propostas e pleito
Durante a campanha, Carvalho enfatizou que o país precisa de mudanças urgentes, citando transporte mais barato e ensino universitário gratuito como prioridades para jovens. A oposição também propõe maior eficiência na gestão pública e no atendimento social.
Autoridades eleitorais informam apoio de observadores internacionais: cerca de 160 integrantes da União Africana e da CEDEAO fiscalizam o processo. O escrutínio recebe reforço logístico para garantir transparência nas eleições.
Destaques regionais e participação externa
Na ilha de Santiago, 33 dos 72 parlamentares serão eleitos. A diáspora, que representa 17% do eleitorado, terá direito a eleger seis deputados. O resultado tende a influenciar o desenho do próximo governo e a direção das políticas públicas do arquipélago.
O período pré-eleitoral transcorreu de forma pacífica, com atuação institucional para assegurar a lisura do pleito. As urnas permanecerão abertas neste domingo, com apuração em curso após o fechamento.
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