- Cerca de 23% dos eleitores europeus votam hoje em partidos de extrema-direita, conforme estudo de mais de 150 cientistas políticos em 31 países, quase cinco vezes mais desde 1995.
- O aumento foi mais acentuado entre 2023 e 2025, com avanços históricos em países como França e Alemanha, além de ganhos em outros como Áustria e Portugal.
- Exemplos: Áustria viu o FPÖ subir de 16% para 29% em 2024; França, RN, de 19% para 37% em 2024; Portugal, Chega, de 7% para 18%.
- No Reino Unido, Reform UK subiu de 2% em 2019 (Brexit party) para 14% em 2024, segundo a pesquisa. Na Alemanha, AfD passou de 10% para 21% em 2025.
- O levantamento aponta que partidos de extrema-direita já fazem parte de governos ou lideram pesquisas em vários países europeus, e que a tendência depende de fatores como normalização, comunicação e temas como imigração.
Oito de cada dez eleitores europeus não votaram em partidos de esquerda ou centro, mas o cenário atual mostra que quase um quarto dos votantes no continente apoia forças de direita radical. A projeção é resultado de um levantamento que envolveu mais de 150 cientistas políticos em 31 países.
A análise do PopuList aponta que a parcela de europeus que vota em partidos de direita radical subiu para mais de 23%, ante cerca de 10% há dez anos e 5% em 1995. O crescimento tem sido especialmente acentuado nos últimos três anos.
Avanço recente e resultados marcantes
Entre 2023 e 2025, as gains em grandes países regionais foram expressivas: a França viu o RN subir de 19% para 37%; a Alemanha, o AfD, passou de 10% para 21% na eleição de 2025; e a Áustria registrou o FPÖ aumentando de 16% para 29% em 2024.
No Reino Unido, o Reform UK avançou de 2% em 2019 (antes conhecido como Brexit Party) para 14% em 2024. Em Portugal, o Chega cresceu de 7% para 18%. Na eleição alemã, o AfD tornou-se a segunda maior força com 21%.
Governo e cenário institucional
Partidos de esquerda radical e de direita populista já integram governos ou compõem coalizões em vários países, incluindo Croácia, República Tcheca, Itália e Finlândia, além de apoiar um governo de coalizão no Reino da Suécia. A projeção indica liderança em pesquisas em Áustria, Bélgica, França, Alemanha e Reino Unido.
Apesar de reveses recentes, como a derrota do PVV na Holanda e da Fidesz na Hungria, a tendência de aumento da votação em forças de direita radical permanece, segundo os pesquisadores. A explicação envolve mudanças de percepção pública, normalização mediática e capacidades de comunicação dessas propostas.
Factores subjacentes e método de classificação
Segundo a equipe do PopuList, a atração por temas como imigração mantém-se estável ao longo do tempo, mas sua importância decisiva aumenta na hora de votar. Organizações de direita também passaram a ser vistas como mais “normais” pela adesão de partidos suficientes para governar ou influenciar o debate.
O PopuList usa critérios de classificação que incluem ideologias centrais de nacionalismo e de autoritarismo para definir o que constitui direita radical ou extrema. A base de dados conta 133 partidos de direita radical na Europa, com atuação parlamentar comprovada.
Observações e limites
A análise reforça que o uso de termos como populismo e extrema-direita varia conforme o contexto institucional e judicial de cada país. Em vários casos, tribunais reconhecem a classificação com base na ideologia fundamental, mesmo quando os partidos tentam mudar a imagem pública.
Em síntese, o estudo indica que a ascensão da direita radical não é fenômeno pontual, mas tendência consolidada, com impactos na configuração política e no debate democrático europeu.
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