- Iván Cepeda, candidato de esquerda na Colômbia, afirma que a democracia está ameaçada e defende uma campanha austera frente ao adversário Abelardo de la Espriella.
- Ele rejeita copiar modelos de Milei, Bukele ou Trump para a Colômbia, destacando que contextos sociais, políticos e econômicos são distintos no país.
- Cepeda diz que a segunda etapa da campanha é liderada pela juventude e por setores populares, buscando continuidade ao giro à esquerda iniciado por Gustavo Petro.
- O candidato defende mobilização social dentro dos limites democráticos caso haja oposição, sem agressões ou violação de direitos.
- Em economia, ele propõe um modelo de capitalismo produtivo, reformas e pacto fiscal com o setor privado, citando a OCDE ao indicar avanço econômico recente da Colômbia.
Iván Cepeda, candidato de esquerda à presidência da Colômbia, concedeu entrevista por telefone a EL PAÍS, vindo de um compromisso. O tom foi de defesa de uma campanha austera e de alerta sobre riscos à democracia diante da oposição de Abelardo De la Espriella.
Cepeda sustenta que sua campanha evita fórmulas tradicionais e busca transparência e participação popular. Afirmou que a juventude e setores populares apoiam o projeto, que busca manter o giro à esquerda iniciado por Gustavo Petro. Deu ênfase à continuidade de políticas voltadas à equidade e à vida.
Ele ressaltou que o segundo turno ocorre em um cenário de disputa entre modelos opostos, com De la Espriella se apresentando como figura de discurso mais agressivo e foco em segurança, inspirado em referências internacionais como Milei, Bukele e Trump.
Contexto da segunda etapa
O senador afirma que há “muita coisa em jogo” neste segundo turno e que algumas pesquisas apresentam lacunas metodológicas. Cepeda citou a necessidade de uma grande pesquisa e disse que a visão de seu planode governo é clara, sem maquiagem, para setores específicos da população.
Ele criticou a imagem pública de De la Espriella, sugerindo que o rival busca uma propaganda de opulência e conformidade com governos internacionais, ao mesmo tempo em que teve vínculos com grupos que atuam na esfera de segurança. Cepeda afirmou que a essência do oponente é autoritária, defesa de violência e oposição ao Estado de direito.
Mudanças na retórica e propostas
O candidato disse que não concorda com copiar fórmulas internacionais para a realidade colombiana, destacando que contextos sociais são diferentes e que políticas como a “motosierra” ou megacárceres não se aplicam de modo direto. Também citou movimentos populares como potencial resposta democrática a eventual avanço de políticas restritivas.
Cepeda afirmou que, caso haja mobilização, ela deverá ocorrer dentro dos parâmetros democráticos. Disse que não pretende ameaçar os opositores, mas manterá atuação firme para defender direitos e instituições, caso haja agressões contra a população.
Economia e finanças públicas
Foi destacado que o modelo proposto busca um capitalismo produtivo, com diversificação econômica, reforma agrária e ajustes trabalhistas. O objetivo é reduzir a dependência de hidrocarbonetos, mantendo inflação controlada, queda do desemprego e crescimento do setor agrícola e do turismo.
O candidato mencionou que o déficit fiscal envolve pagar dívidas herdadas por governos anteriores e que será necessário construir um pacto fiscal com o setor privado para evitar uma nova reforma tributária. Ele disse contar com apoio de setores financeiros e com a visão de que o país pode progredir com reformas.
Relações políticas e internacionais
Sobre o apoio internacional a De la Espriella, Cepeda citou questionamentos feitos por congressistas norte-americanos a autoridades colombianas, destacando que há investigações solicitadas pelo Departamento de Justiça e pelo Tesouro dos EUA. Ele preferiu não se posicionar de forma subjetiva, apontando apenas fatos públicos.
O candidato reiterou a manutenção de uma relação histórica com o presidente Petro, ressaltando que as visões coexistem dentro de um projeto político comum, sem rupturas. Cepeda negou ter se distanciado do governo atual, enfatizando a continuidade do programa em discussão.
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