- O Brexit alterou o cenário político da Escócia, com apoio à independência atingindo cerca de cinquenta por cento, chegando a cinquenta e cinco por cento em algumas pesquisas.
- Em 2016, a Escócia votou majoritariamente para permanecer na União Europeia (62% a 38%), o que alimentou o debate sobre a independência após o Brexit.
- Líderes de oposição e de governo lembram o impacto emocional da derrota do Brexit e o impulso percebido a favor de uma segunda consulta sobre independência, mesmo com votações e cenários divergentes.
- O impulso pela independência ganhou força em 2019 e 2020, com a liderança de Nicola Sturgeon contrastando com a gestão de Boris Johnson, mas o apoio não atingiu maiorias absolutas em eleições subsequentes.
- Economicamente, estima-se que o Brexit tenha reduzido receitas da Escócia e pressionado custos, como aumento de tarifas em itens alimentares, destacando impactos prolongados na economia e serviços públicos.
O Brexit fortaleceu o apoio à independência da Escócia, segundo Kezia Dugdale, ex-líder do Labour escocês. Em 2016, a maior parte dos eleitores escoceses votou pela permanência na União Europeia, mas o Reino Unido seguiu rumo ao Brexit.
Dugdale disse que o resultado gerou uma percepção de justiça distinta em Scotland, já que 62% votaram para ficar na UE, contra 38% na Inglaterra. Ela afirma que o quadro institucional mudou o debate sobre a independência.
A ex-líder conservadora Ruth Davidson, que apoiou a permanência, relatou surpresa com o resultado. Em entrevistas, destacou que o governo de Nicola Sturgeon tentou impulsionar um segundo plebiscito, sem sucesso até hoje.
Nicola Sturgeon descreveu, em suas notas, sentimento de desamparo diante do Brexit e reforçou a ideia de que o poder de decisão de Scotland estava em jogo. A análise faz parte de um retrato divulgado por ex-líderes.
Ao longo da década, a atenção política se deslocou por crises como o Brexit duro, a pandemia, a guerra na Ucrânia e turbulências nos Estados Unidos, mantendo a agenda econômica e de serviços públicos no centro do debate.
Segundo estimativas recentes, o impacto econômico do Brexit na Escócia envolve perdas de receitas e aumento de custos de vida. Dados oficiais citados indicaram queda de renda e elevação de cobranças de alimentos.
Analistas destacam que, apesar de a pauta independentista ter ganhado força em momentos, a saliência do tema diminuiu frente aos choques econômicos e às crises de governança, reduzindo o impulso por um plebiscito.
Nas eleições de 2019 em diante, o impulso por independência não atingiu maioria estável. A oposição manteve desempenho relevante, com reformas políticas e mudanças no apoio ao movimento pró-UK, moldando o cenário atual.
Kezia Dugdale, associada ao Centro de Política Pública de Glasgow, aponta que a desconfiança com as instituições se manteve após mais de uma década de austeridade e crises. O eleitorado tem menos confiança na capacidade de melhoria.
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