- A nova fase da Operação Compliance Zero envolve Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, com acusações ligadas ao Banco Master, incluindo um apartamento de cerca de R$ 2,45 milhões, uso de jatinhos e ingressos para shows nos Estados Unidos.
- A PF sustenta que Wagner seria o “beneficiário central” das vantagens, com repasses a empresas ligadas ao entorno familiar e atuação parlamentar em temas de interesse do Master no Congresso (crédito consignado, limites do FGC e tentativa de aquisição pelo BRB).
- O Planalto e o PT tentam conter os danos, discutindo se Wagner deve deixar a liderança no Senado; ele afirmou que não deixará a liderança nem desistirá da reeleição.
- Vínculos familiares aparecem na investigação, incluindo o enteado de Wagner, secretário de Meio Ambiente da Bahia, e diálogos envolvendo uso de aeronaves ligadas ao empresário Augusto Lima; há menções a ocultação do imóvel e a deslocamentos na “Ilha da Paixão”.
- A oposição vê ligação com o PT baiano e afirma que a nova fase reforça suspeitas; analistas divergem sobre o impacto institucional, com o STF mantendo sigilo sobre a operação e Mendonça determinando sigilo.
A Polícia Federal abriu uma nova frente na investigação sobre o Banco Master, envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A ação juntou indícios de vantagens econômicas atribuídas ao entorno do parlamentar com apuração sobre atuação dele no Congresso.
Segundo a PF, os indícios apontam para um conjunto de benefícios ligados ao senador, entre eles um apartamento em Salvador, uso de aeronaves privadas e repasses a empresas ligadas ao núcleo familiar. A operação também apura participação de familiares em repasses financeiros vinculados ao Master.
A ação ocorreu nesta quinta-feira e atingiu endereços ligados a Wagner, bem como a familiares. As diligências trouxeram à tona valores em espécie apreendidos em Brasília e na Bahia, além de mensagens que, segundo a PF, sugerem interação próxima entre o senador e o empresários do grupo master.
O que envolve o apartamento, jatinhos e repasses
A PF detalha que um imóvel de alto padrão, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, teria sido intermediado por Wagner junto a um empresário do grupo Master. O imóvel foi adquirido por uma empresa, com indícios de ocultação do beneficiário real, segundo a investigação.
Entre os elementos, há relatos de uso de aeronaves associadas ao empresário Augusto Lima e ao Master para deslocamentos do senador e de familiares, com registros de viagens e encontros em locais como a chamada Ilha da Paixão. Also, há menções a ingressos para shows nos EUA, com pagamentos de R$ 63,3 mil, segundo a PF.
Envolvidos próximos
Entre os alvos da operação está Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia. A PF atribui a ele participação em cobranças de pagamentos ao empresário Augusto Lima. Planilhas apreendidas apontam repasses superiores a R$ 2,3 milhões para pessoas ligadas ao entorno familiar do senador.
Em defesa, Wagner negou qualquer favorecimento a interesses do Master e afirmou que o apartamento era parte de uma negociação para ajudar a filha na aquisição de imóvel. O parlamentar disse ainda não ter mantido relação próxima com Daniel Vorcaro e descartou deixar a liderança no Senado.
Ponto institucional e reação política
Os investigadores sustentam que a atuação parlamentar de Wagner em temas relacionados ao Master estaria vinculada aos privilégios apurados. Dentre as pautas, aparecem propostas sobre crédito consignado, limites do FGC e a mudança em cenários de aquisição de bancos.
No Planalto, a prioridade é evitar que o caso contamine a imagem do governo. A direção do PT defendeu Wagner, afirmando confiar na sua defesa e na veracidade das apurações. O ministro José Guimarães destacou a autonomia da PF para investigar.
Contexto e próximos passos
O STF manteve sigilo sobre a data e os detalhes da operação, em definição que visa evitar vazamentos. A PF informou que o caso não se restringe a relações de amizade, mas aponta atuação estratégica em temas do Master no Congresso.
Analistas destacam que a crise atinge um dos principais articuladores do governo e pode exigir esclarecimentos públicos. Enquanto a investigação avança, o Palácio pressiona para dissociar a imagem de Lula do caso Master.
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