- O referendo suíço deste domingo questiona se deve fixar um teto de 10 milhões de habitantes até 2050; hoje são cerca de 9,1 milhões.
- Em Dübendorf, cidade do área metropolitana de Zurique, há planos de densificar a verticalidade com arranha-céus para acomodar o crescimento populacional.
- O município já utiliza espaços como salas de aula em prédios altos e projeta mais habitação acessível para acompanhar a demanda.
- A votação é cercada de debates sobre imigração, moradia, infraestrutura e a necessidade de manter serviços como saúde e educação, com o apoio de autoridades locais.
- Em Herrliberg, localidade vizinha, moradores relatam aumento de preços de moradia e discutem impactos da presença de estrangeiros, enquanto o tema central continua sendo o equilíbrio entre desenvolvimento e qualidade de vida.
A votação deste domingo define se a Suíça fixa um teto de 10 milhões de habitantes até 2050. O pleito ocorre em meio a debates sobre crescimento populacional, moradia, saúde e serviços públicos em várias regiões do país, incluindo o cantão de Zurique.
Dübendorf, cidade de cerca de 33 mil moradores na área metropolitana de Zurique, revela o dilema. A cidade já projeta alto crescimento com prédios de mais de 100 metros e quase 40 andares, buscando densificação para atender a demanda por moradia e serviços. O debate envolve preservar o equilíbrio entre vida local e expansão urbana.
O prefeito de Dübendorf, André Ingold, afirma que o crescimento deve continuar até 2050, com 80% a ocorrer nas áreas urbanas. Ele ressalta a necessidade de infraestrutura, escolas e vias de ligação, e defende modelos de edificações com pegada ecológica reduzida e áreas verdes para mitigar impactos.
Para a prefeitura, o uso de alturas maiores é uma resposta prática à demanda de habitação, reconhecendo que parte da população depende de trabalhadores estrangeiros. Em Dübendorf, o governo local já adaptou estruturas para abrigar atividades, como a instalação de salas de aula em um complexo de rascacielos para enfrentar falta de vagas.
O desenho urbano de toda a região metropolitana, com cerca de 1,4 milhão de habitantes, prevê futuras concentrações de construção ao longo da linha de trem leve que liga as cidades ao aeroporto de Zurique, com o objetivo de absorver novos residentes sem pressionar excessivamente áreas centrais.
Entretanto, nem todos compartilham o otimismo. Um grupo de moradores mais velhos questiona a transformação, citando perda de áreas verdes, aumento de tráfego e barulho. Em contrapartida, representantes de comunidades de migrantes destacam a importância do fluxo populacional para serviços como saúde, construção e gastronomia.
Parte dos eleitores do cantão afirma que os trabalhadores estrangeiros são essenciais ao sistema, reforçando a necessidade de políticas de planejamento que assegurem moradia acessível e infraestrutura adequada. A administração municipal aponta a escassez de imóveis de baixo custo como um dos principais problemas a enfrentar.
Além de Dübendorf, Herrliberg e outras localidades a poucos quilômetros de Zurique vivem realidades distintas. Herrliberg, por exemplo, enfatiza equilíbrio entre densidade e natureza, com parte dos residentes estrangeiros contribuindo para o dinamismo local, mas enfrentando pressões de preço de moradia.
O referendo também envolve o financiamento e a viabilidade de manter serviços públicos sob pressão de crescimento. Proponentes da iniciativa de freio populacional costumam destacar riscos de sobrecarga em escolas, saúde e transportes, enquanto opositores ressaltam a importância de migrantes para a economia e para a manutenção de serviços.
A campanha no terreno acompanha a proximidade do voto, com ações de partidos locais e manifestações em várias cidades. A expectativa é de um resultado muito próximo, refletindo a divisão entre quem defende contenção do crescimento e quem sustenta a necessidade de expansão para acompanhar a demografia do país.
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