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Bill Gates teria considerado relação com Epstein aceitável, dizem democratas

Gates disse ao Congresso que via a relação com Epstein como aceitável para atrair doadores, mesmo após a condenação de 2008, em depoimento a portas fechadas

Bill Gates, cofundador da Microsoft, chega para depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA, em Washington, D.C., em 10 de junho
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  • Bill Gates disse ao Congresso que considerava “aceitável” fazer negócios com Jeffrey Epstein na época em que mantinham relação profissional, mesmo após a condenação de 2008.
  • O depoimento ocorreu a portas fechadas e a transcrição deve ser divulgada; a Fundação Gates também investiga o bilionário.
  • Gates afirmou que não presenciou abusos por parte de Epstein e pediu desculpas por ter lhe conferido credibilidade ao associá-lo.
  • Entre 2011 e 2014, Gates e Epstein discutiram estruturas de doação, mas nenhuma iniciativa de captação de recursos foi criada; as conversas não evoluíram.
  • Parlamentares perguntaram o que Gates via em Epstein e se houve envolvimento dele em algo além do que foi relatado; Gates afirmou ter visto a cooptação apenas para acessar doadores ricos.

Bill Gates participou de depoimento transcrito perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, nesta quarta-feira. O empresário disse que considerava aceitável manter contatos com Jeffrey Epstein na época, mesmo após a condenação do financista em 2008. Parlamentares democratas repassaram a informação.

O depoimento ocorreu a portas fechadas; não houve gravação em vídeo, mas a transcrição deverá ser tornada pública. A Fundação Gates também apura as informações sobre o bilionário, segundo relatos, ainda em andamento.

Gates afirmou, em sua abertura, não ter presenciado nem tido indícios de atividades criminosas atuais por parte de Epstein. Disse estar profundamente arrependido por ter conferido credibilidade à relação e afirmou que jamais deveria ter se reunido com Epstein.

Depoimento e timeline das relações

O empresário manteve encontros entre 2011 e 2014 para discutir um possível fundo patrimonial, que não foi implementado. Ele não foi acusado de irregularidades relacionadas a Epstein, mas reconheceu contatos com o financiador apesar de seu histórico criminal.

Parlamentares relataram que Gates citou pessoas influentes que teriam ajudado Epstein a influenciá-lo. O comitê apurou também que Gates negou as acusações apresentadas nos chamados arquivos Epstein, e que o bilionário recebia informações de terceiros sobre o caso.

Alguns congressistas descreveram o tom de Gates como “colaborativo” e disposto a responder, enquanto outros disseram que ele foi “um pouco combativo” em parte do testemunho. A comparação entre reações refletiu divergências entre os membros do comitê.

Pontos centrais do depoimento de Gates

O depoimento incluiu a defesa de que a saúde global justifica buscar apoio de grandes doadores. Gates afirmou ter reconhecido os erros de julgamento ao se encontrar com Epstein e reiterou que não haveria qualquer papel dele em projetos de Epstein.

Também foi detalhado que, ao longo de 2014, a comunicação com Epstein foi interrompida após perceber que as promessas não se concretizariam. O empresário relatou que Epstein buscava usar informações pessoais para pressioná-lo, sem sucesso.

Gates comunicou que a reputação é essencial para parcerias que salvam vidas. Acrescentou que aprendeu a ser mais cuidadoso ao selecionar contatos, para evitar que relações com pessoas de má-fé comprometam seu trabalho filantrópico.

O comitê informou que continua a coletar informações para esclarecer o alcance das interações entre Gates e Epstein. A Justiça e a imprensa buscam traduções oficiais da transcrição para publicação pública.

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