- Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, está no Chapare e diz que não convocou as protestos contra o governo de Rodrigo Paz; acompanha de perto o movimento indígena que desloca o foco político no país.
- Paz enfrenta protestos sem líderes visíveis; Morales critica promessas não cumpridas, acusações de privatizações e favorecimento de grandes fortunas, e aponta insatisfação com a política econômica.
- Morales está foragido, com ordem de captura por suposta trata de menores, e afirma não se apresentar sem devido processo; diz que enfrenta perseguição política.
- Sobre a solução da crise, o ex-presidente defende que a pacificação passa por uma transição de poder e eleição em até trinta dias, e critica a possibilidade de estado de exceção.
- Morales ressalta que a revolução do movimento indígena precisa continuar, que pode haver candidatos de base, e que ainda não há um único substituto claro para liderar o movimento.
Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, encontra-se no Chapare, região tradicionalmente ligada ao movimento cocalero, enquanto analisa o atual levante indígena que confronta o governo de Rodrigo Paz. Em entrevista por videoconferência, ele afirma não ter convocado as manifestações e critica promessas não cumpridas pelo governo.
Morales está foragido da Justiça em relação a acusações de abuso sexual e tráfico de pessoas, e rejeita apresentar-se voluntariamente ao tribunal. Em meio à tensão, ele desafiou Paz, dizendo que, se for capturado, quem o prende deve responder a quem está levando.
Segundo o ex-presidente, o conflito atual representa uma sublevação contra um modelo neoliberal, com foco na defesa de serviços públicos não privatizados. Alega ainda que Paz tem promovido políticas de privatização em áreas como mineração, gás e litio.
Morales criticou promessas não cumpridas durante a campanha de Paz, especialmente em relação a combustíveis. Afirmou que o governo tem ações associadas a favorecimentos para grandes fortunas e ajuste de propriedade rural, o que, para ele, alimenta o descontentamento social.
Sobre a possibilidade de renúncia de Paz, Morales afirmou que, caso haja estado de exceção, a resposta pode incluir resistência e reação ampliada. Ele mencionou, ainda, a necessidade de uma transição pacífica para evitar confrontos sangrentos.
Em relação a um eventual retorno político, Morales descartou a ideia de uma candidatura imediata, destacando que o movimento precisa de um instrumento político próprio e de liderança dentro de bases populares. Ele permanece ativo como liderança de entidades do Trópico de Cochabamba.
Questionado sobre o papel da classe média, Morales reconheceu críticas internas, admitindo falhas na ideação ideológica do governo. Afirmou que a luta deve manter-se próxima ao povo, com alianças entre camponeses e setores populares, para sustentar a perspectiva revolucionária.
Sobre o andamento judicial, o ex-presidente repetiu que está sendo alvo de perseguição política, alegando ausência de devido processo. Disse que não há provas cabais de suas acusações, e que a cobertura da imprensa reforça o tom político do processo.
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