- Nos últimos quinze dias, o estreito de Ormuz volta a registrar mais cruzamentos de navios, apesar dos bloqueios e das tensões entre Irã e Estados Unidos.
- Dados da Rystad Energy e da Lloyd’s List indicam aumento no número de navios que atravessam o estreito, principalmente em direção ao mar Arábigo e ao oceano Índico.
- Autoridades iranianas dizem ter aumentado o tráfego, com mais de vinte navios diários em alguns dias; estima-se que aproximadamente trezentos navios de bandeira não iraniana tenham cruzado após acordo com a Guarda Revolucionária.
- Observadores apontam que grande parte dos trânsitos ocorre com acordo tácito para facilitar os fluxos, incluindo muitos navios sem transponder ativo, o que dificulta a contagem em tempo real.
- O fluxo maior de navios ajuda a moderar os preços do petróleo e do gás, apesar de a negociação entre Washington e Teerã seguir sem conclusão, e de a marinha dos EUA estar guiando decenas de embarcações.
O estreito de Ormuz mostra sinais de abertura, apesar da continuidade dos atritos entre Irã e EUA. O número de navios que cruza o estreito vem crescendo nas últimas duas semanas, ainda distante dos níveis pré-guerra. Movimentos ocorrem com o aval da Guarda Revolucionária ou sob escolta da marinha norte-americana, enquanto alguns seguem sozinhos.
Dados de consultorias e de inteligência marítima indicam aumento dos cruzamentos, sobretudo no sentido Saída, em direção ao Golfo arábico e ao Oceano Índico. A tendência ocorre mesmo diante da ausência de acordo formal para a liberalização total do estreito e das sanções em vigor.
Até esta semana, autoridades iranianas divulgam ter superado a marca de vinte deslocamentos diários, com o registro de aproximadamente 300 navios de bandeiras não iranianas cruzando após acordo com a Guarda Revolucionária. Diversos cargueiros não tinham atravessado o estreito em nenhum dos sentidos desde o início do conflito.
Estima-se que mais de 65% dos trânsitos em maio ocorreram de forma não rastreável, ou seja, com transponder desligado. Analistas apontam que esse comportamento não se restringe a navios ligados ao Irã, mas envolve operadores de fora do país para manter fluxos comerciais, dificultando a observação em tempo real.
Os dados externos indicam que, apesar do repunte, o volume continua abaixo dos patamares pré-conflito, quando chegavam a ultrapassar 100 navios por dia em algumas jornadas. Ainda assim, o aumento recente marca uma inflexão em relação à seca observada em abril e no início de maio.
Contexto e impactos
Jorge León, da Rystad Energy, destaca que o fluxo mais intenso ajuda a reduzir o preço do petróleo, que recuou abaixo de 100 dólares o barril, além de pressionar o preço do gás. Segundo ele, o cenário sugere uma espécie de acordo tácito entre as partes para aliviar o gargalo logístico.
A atuação da Marinha dos EUA, que ultimamente tem orientado dezenas de navios a cruzarem com sucesso, continua sendo relevante. Relatórios do The New York Times apontam que, desde meados de maio, cerca de 70 navios seguiram recomendações americanas para deixar a região, muitos mantendo transponder desligado para evitar registro oficial.
Autoridades iranianas vêm sinalizando maior movimentação de embarcações, sem indicar mudança nas políticas de controle. A dinâmica atual sugere uma continuidade do fluxo comercial na região, ainda que com maior opacidade.
Rol de fatores
- O que aconteceu: aumento no número de navios que cruzam Ormuz.
- Quem está envolvido: Irã, EUA, Guarda Revolucionária, Marinha norte-americana e operadores de várias signatárias.
- Quando: nas últimas duas semanas, com dados até esta semana.
- Onde: estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
- Por quê: manter fluxos comerciais e pressão econômica, ainda que haja disputa política e sanções em vigor.
Entre na conversa da comunidade