- Ben Black, atual chefe da Development Finance Corporation (DFC), aparece com vínculos pessoais e comerciais com Jeffrey Epstein, segundo e-mails e registros do Department of Justice.
- O pai de Black, Leon Black, foi um dos principais clientes de Epstein, chegando a receber aconselhamento fiscal e facilitar pagamentos a mulheres, em investigações e reportagens.
- Registros indicam que Ben Black e Epstein tiveram relação ligada a investimentos na empresa Environmental Solutions Worldwide (ESWW) e que Black integrou o conselho do grupo.
- Entre os acontecimentos descritos, há menção a aniversário de Ben Black, encontros privados com Epstein e discussões sobre aquisições, embora advogados de Black afirmem que não houve relação próxima.
- A DFC conta com outros membros indicados pelo governo com vínculos conhecidos a Epstein; a agência não divulgou comentários oficiais sobre as alegações envolvendo Black.
Ben Black, atual chefe da Development Finance Corporation (DFC), uma agência de investimentos dos EUA, tem ligações pessoais com Jeffrey Epstein, segundo emails e registros judiciais do DoJ. As informações apontam interações ao longo de anos e envolvimento indireto com atividades do financista.
O DoJ divulgou correspondências e filings que indicam que o pai de Black, Leon Black, foi um dos clientes mais bem remunerados de Epstein, incluindo serviços de consultoria fiscal e a organização de pagamentos a mulheres. Black nega relação pessoal com Epstein.
A reportagem do Guardian analisou mais de 5 mil registros de correspondência privada de Epstein, que apontam Black investindo na mesma empresa que Epstein em 2011 e mantendo relação nos anos seguintes. Epstein mencionou assistir ao aniversário de Black e assessorá-lo em aquisições de imóveis.
Black ocupa hoje cargo confirmado pelo Senado, supervisionando a DFC, o maior braço de investimento externo do governo americano. A agência ganhou autorização para investir em países de alta renda e o teto de empréstimos foi ampliado para 205 bilhões de dólares.
Howard Lutnick, membro do conselho da DFC, também tem ligações com Epstein. Lutnick participou de investigações do Congresso sobre a rede de Epstein, embora não tenha sido acusado de crimes relacionados. Lutnick integra o conselho da DFC ao lado de Black.
As ligações com Epstein não implicam Black em crimes. Ainda assim, o material revela forte exposição do governo a pessoas com histórico controverso, gerando questionamentos entre ex-funcionários da DFC sobre a nomeação de Black.
A DFC não respondeu aos pedidos de comentário. Advogados de Leon Black disseram que Ben Black não tem vínculos com Epstein e que eventuais encontros ocorreram apenas em contextos sociais.
O material também descreve envolvimento de Black com Environmental Solutions Worldwide (ESWW), empresa ligada a Epstein via participação de seu próprio patrimônio familiar. Black e um irmão tornaram-se diretores da ESWW em 2011.
Ainda segundo os documentos, Epstein teria contribuído para transações ligadas à ESWW e, em 2012, vendeu ações da empresa à Black Family Partners, LLC, conforme registros da SEC. Advogados de Leon Black classificaram a transação como mudança de estratégia de investimentos.
Entre 2012 e 2014, relatos indicam encontros entre Black, Epstein e outros membros da família Black, com festas e encontros de negócios. A família sustenta que alguns encontros foram meramente sociais e não configuram relação profissional.
Em 2014, Epstein teria participado de eventos envolvendo a família Black em St Barts, segundo emails. Em contrapartida, representantes legais afirmam que Epstein não frequentou festas nem reuniões com Leon Black ou seus filhos, e que mensagens atribuídas a Epstein não refletem fatos.
Funcionários da DFC, presentes à época, relatam resistência interna à nomeação de Black, citando quadro limitado de experiência em finanças de desenvolvimento internacional. Um porta-voz da Casa Branca afirmou que Black tem experiência de alto nível para o cargo.
O Guardian aponta que o histórico de Black é alvo de escrutínio público, com especial atenção à natureza de suas ligações com Epstein e à influência de sua família na trajetória profissional. A repercussão envolve a gestão de recursos públicos e a integridade das nomeações.
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