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Balconista de farmácia vence luta pelo fim da escala 6×1 após desabafo no TikTok

Após desabafo de balconista Rick Azevedo, Câmara aprova redução da semana de 44 para 40 horas, substitui 6x1 por 5x2, com transição de até 60 dias

Vídeo em que Rick Azevedo denunciava a exaustão da escala 6x1 saiu do TikTok e virou pauta política nacional — Foto: BBC
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  • Um balconista de farmácia, Rick Azevedo, ganhou notoriedade após desabafar no TikTok sobre a escala de trabalho 6×1, denunciando a exaustão e a dificuldade de tempo para vida pessoal.
  • O desabafo viral levou à mobilização online, com petição que ultrapassou três milhões de assinaturas e a criação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
  • Em 27 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, substituindo o 6×1 por cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado.
  • O tema ganhou apoio de Erika Hilton, principal articuladora na Câmara, e passou a integrar a pauta do governo, que divulgou campanha e apresentou projeto de lei com transição gradual para a nova jornada.
  • A proposta segue para o Senado, com expectativa de aprovação rápida, e o governo aposta no apelo popular para obter apoio durante o processo legislativo e as eleições.

Rick Azevedo, balconista de farmácia do Rio de Janeiro, lançou movimento pelo fim da escala 6×1 após um desabafo publicado no TikTok em setembro de 2023. O vídeo abriu caminho para a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e para a substituição do modelo 6×1 por 5×2, com dois dias de descanso remunerado. A pressão ganhou força ao longo de 2024 e consolidou-se na política nacional.

Uma petição pela mudança na escala ultrapassou 3 milhões de assinaturas. A partir daí, Azevedo integrou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), ao lado de outros trabalhadores. Em 2024, aos 30 anos, ele foi eleito o vereador mais votado do PSOL no Rio de Janeiro, com mais de 29 mil votos, reforçando a ligação entre a mobilização digital e a atuação parlamentar.

Da internet ao plenário

A pauta ganhou tração em Brasília quando a deputada Erika Hilton, do PSOL-SP, passou a articular a proposta no Congresso. Em novembro de 2024, ela apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) inspirada no VAT, inicialmente com foco em uma jornada de 36 horas sem redução salarial. A proposta ganhou assinaturas de apoiadores de diferentes espectros, mas enfrentou forte resistência do empresariado.

O governo Lula manteve cautela inicial, mas acabou indicando apoio político em 2025. Em maio daquele ano, o presidente sinalizou que é hora de avançar no tema. Em abril de 2026, o governo encaminhou ao Congresso um projeto de lei com a redução para 40 horas e dois dias de descanso, com transição gradual e proteção salarial. O objetivo é ampliar o tempo para vida pessoal sem prejudicar vínculos de trabalho.

O que mudou na prática

A chamada pela mudança ganhou adesões entre trabalhadores de setores diversos, incluindo entregadores e motorista de aplicativo, além de pautar o debate sobre direitos trabalhistas no país. O texto aprovado pela Câmara em 27 de maio de 2026 prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo salário e implementando um período de transição.

Entretanto, o tema atraiu críticas de entidades empresariais. Associações do varejo, indústria e comércio destacaram impactos negativos potenciais para produtividade e custos, projetando reajustes nos preços ao consumidor. Estudos de organizações setoriais indicaram variações no PIB e na inflação, caso a medida avance sem contrapartidas.

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