- Um balconista de farmácia, Rick Azevedo, ganhou notoriedade após desabafar no TikTok sobre a escala de trabalho 6×1, denunciando a exaustão e a dificuldade de tempo para vida pessoal.
- O desabafo viral levou à mobilização online, com petição que ultrapassou três milhões de assinaturas e a criação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
- Em 27 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, substituindo o 6×1 por cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado.
- O tema ganhou apoio de Erika Hilton, principal articuladora na Câmara, e passou a integrar a pauta do governo, que divulgou campanha e apresentou projeto de lei com transição gradual para a nova jornada.
- A proposta segue para o Senado, com expectativa de aprovação rápida, e o governo aposta no apelo popular para obter apoio durante o processo legislativo e as eleições.
Rick Azevedo, balconista de farmácia do Rio de Janeiro, lançou movimento pelo fim da escala 6×1 após um desabafo publicado no TikTok em setembro de 2023. O vídeo abriu caminho para a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e para a substituição do modelo 6×1 por 5×2, com dois dias de descanso remunerado. A pressão ganhou força ao longo de 2024 e consolidou-se na política nacional.
Uma petição pela mudança na escala ultrapassou 3 milhões de assinaturas. A partir daí, Azevedo integrou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), ao lado de outros trabalhadores. Em 2024, aos 30 anos, ele foi eleito o vereador mais votado do PSOL no Rio de Janeiro, com mais de 29 mil votos, reforçando a ligação entre a mobilização digital e a atuação parlamentar.
Da internet ao plenário
A pauta ganhou tração em Brasília quando a deputada Erika Hilton, do PSOL-SP, passou a articular a proposta no Congresso. Em novembro de 2024, ela apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) inspirada no VAT, inicialmente com foco em uma jornada de 36 horas sem redução salarial. A proposta ganhou assinaturas de apoiadores de diferentes espectros, mas enfrentou forte resistência do empresariado.
O governo Lula manteve cautela inicial, mas acabou indicando apoio político em 2025. Em maio daquele ano, o presidente sinalizou que é hora de avançar no tema. Em abril de 2026, o governo encaminhou ao Congresso um projeto de lei com a redução para 40 horas e dois dias de descanso, com transição gradual e proteção salarial. O objetivo é ampliar o tempo para vida pessoal sem prejudicar vínculos de trabalho.
O que mudou na prática
A chamada pela mudança ganhou adesões entre trabalhadores de setores diversos, incluindo entregadores e motorista de aplicativo, além de pautar o debate sobre direitos trabalhistas no país. O texto aprovado pela Câmara em 27 de maio de 2026 prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo salário e implementando um período de transição.
Entretanto, o tema atraiu críticas de entidades empresariais. Associações do varejo, indústria e comércio destacaram impactos negativos potenciais para produtividade e custos, projetando reajustes nos preços ao consumidor. Estudos de organizações setoriais indicaram variações no PIB e na inflação, caso a medida avance sem contrapartidas.
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