- Colombia realiza a primeira volta das eleições presidenciais em meio à violência intensificada e ameaça a candidaturas, com Iván Cepeda, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia denunciando ameaças de morte.
- O país enfrenta um quadro de segurança deteriorado, com assassinatos de líderes sociais, recrutamento de menores e ataques de grupos armados em regiões como Catatumbo, Arauca, Cauca, Nariño, Putumayo e Guaviare.
- Dados oficiais apontam mais de 27 mil integrantes de atores armados organizados e pelo menos 14 zonas de disputa ativa; a violência também afeta civis com homicídios, desaparecimentos e extorsões.
- A MOE indica risco de violência em 339 de 1.100 municípios, sendo 126 em nível extremo; o desmonte parcial das FARC não encerrou o fluxo de disputas locais entre grupos armados.
- Entre as propostas dos candidatos, Cepeda defende implementação integral do acordo de 2016 e diálogo público, De la Espriella defende endurecimento da Segurança Pública e penas mais rígidas, enquanto Valencia favorece maior endurecimento institucional.
A Colombia enfrenta a escolha do próximo presidente em meio a violência que se intensifica. A campanha para suceder Gustavo Petro ocorre com ataques a candidatos, ameaças e ações de grupos armados que visam comunidades e trabalhadores eleitorais. A primeira volta está marcada para este domingo.
O clima de insegurança envolve Iván Cepeda, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, três candidatos com proteção reforçada. Cepeda, apoiado por Petro, costuma subir aos palcos sob escoltas com blindagem. De la Espriella concorre pela direita tradicional, enquanto Valencia representa a centro-direita.
O país, ao entrar na eleição, viveu o assassinato de um senador precandidato opositor no ano passado, evento que ainda não foi esquecido. Além disso, ataques contra militantes de campanha e incidentes com armamentos diversificados têm marcado o percurso político local.
Entre os cenários regionais, comunidades do Catatumbo, Arauca, Cauca, Nariño, Putumayo e Guaviare sofrem violência que persiste desde a assinatura do acordo de paz com as FARC. Há relatos de homicídios, desaparecimentos, recrutamento e extorsões.
A situação humanitária é citada por organizações internacionais como grave. A Cruz Vermelha alertou para o nível mais alto de vulnerabilidade na última década, em meio a mudanças no mapa de atuação de grupos armados.
A estrutura de segurança pública também é ponto central. A divulgação de dados oficiais aponta queda modesta de homicídios, mas aumenta o temor entre comunidades urbanas e rurais. A violência não se restringe a ações de guerrilhas antigas, mas se estende a novos grupos e disidências.
Em termos de políticas, Cepeda defende diálogo ampliado com o foco em implementação do acordo de 2016 e ações preventivas para reduzir desigualdades regionais. De la Espriella defende mão mais firme e endurecimento penal, enquanto Valencia propõe fortalecimento institucional da segurança.
O panorama eleitoral mostra regiões com riscos elevados de violência em centenas de municípios, segundo a Misión de Observación Electoral. Mesmo com o fim do ciclo de paz total defendido pelo governo, o país continua com atuação fragmentada de grupos armados em áreas estratégicas para economia informal.
Analistas ressaltam que a violência local, e não apenas a nacional, molda o cenário político. Especialistas destacam que as dinâmicas dos conflitos são influenciadas por interesses regionais, não apenas por disputas entre o Estado e grupos específicos.
A posse do novo presidente está prevista para 7 de agosto. Enquanto isso, a segurança pública e a proteção de candidatos permanecem como temas centrais para o pleito e para a estabilidade regional. As autoridades enfatizam a necessidade de respostas rápidas e coordenadas.
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