- NetBlocks confirmou o restabelecimento “parcial” da internet no Irã após 88 dias de interrupção, a mais longa registrada.
- O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, ordenou a restauração da internet com as condições pré-apagão, iniciando o retorno ainda nesta semana.
- O Comitê Especial de Gestão do Ciberespaco aprovou a medida com nove votos favoráveis, três contrários, apesar de questionamentos sobre a autoridade do governo.
- Críticos ligados a setores ultraconservadores do regime sinalizam resistência à plena implementação, enquanto há relatos de suspensão temporária por decisão do Judiciário Administrativo.
- Autoridades apontam perdas econômicas diárias próximas de milhões de dólares e afirmam que milhões de pessoas dependem da economia digital; o retorno ocorre num contexto de protestos anteriores e tensões políticas internas.
NetBlocks confirmou a retomada parcial do acesso à internet no Irã, após quase 88 dias de interrupção. A medida ocorre sob pressão de autoridades e segue ordens do presidente Masud Pezeshkian, que pediu o restabelecimento das condições pré-apagão. O governo havia anunciado o retorno gradual.
O presidente ordenou ao Ministério das Comunicações que restabelecesse a conexão internacional conforme o cenário anterior. A agência oficial ISNA informou que a medida poderia entrar em vigor já nesta terça-feira, com aplicação gradual. A rede tem sido retomada de forma parcial, segundo métricas em tempo real.
A decisão foi tomada após o Comitê Especial de Gestão do Ciberespaco aprovar, com nove votos a favor e três contra, o retorno da internet internacional. Entidades ligadas à Guarda Revolucionária contestaram a legitimidade do governo para executar a medida, destacando que o Conselho Supremo de Segurança Nacional detém a competência formal.
Críticos dentro do regime temem que o passo seja insuficiente ou temporário. Relatos de veículos oficiais indicaram que a suspensão poderia ser temporária a depender de avaliação de segurança. O Tribunal de Justiça Administrativa havia suspendido temporariamente a implementação, segundo a imprensa local.
O vice-presidente Mohammad Reza Aref afirmou que o país avança em direção a um acesso mais livre e regular ao ciberespaço. O ministro das Comunicações, Sattar Hashemi, disse ao diário Shargh que a restauração internacional começou no momento. Também destacou que o custo do bloqueio era elevado para a economia.
Hashemi já havia estimado perdas diárias próximas a 30 milhões de dólares por conta do bloqueio global, que afetava cerca de 10 milhões de pessoas ligadas à economia digital. O viceministro Ehsan Chitsaz confirmou a promulgação oficial da decisão pela presidência, destacando que o país percorreu um caminho difícil para devolver a internet à população.
Antes do restabelecimento, o acesso internacional ficou praticamente sob controle de organismos estatais e de indivíduos próximos ao poder. A divulgação inicial reconhecia que apenas usuários alinhados ao governo conseguiam manter conectividade durante o apagão.
Especialistas e ativistas apontam que o isolamento digital agravou desigualdades econômicas e sociais, restringindo o acesso a informações, sobretudo sobre direitos humanos. Analistas ressaltam que parte dos dirigentes que teriam morrido durante o apagão pode ter sido atingida nesse período.
Enquanto o acesso remoto se reacende, o país observa o desfecho da disputa entre grupos governistas e as alas mais radicais do sistema político. Agradar a todos os lados permanece complexo, com desdobramentos esperados na relação entre o governo e as instituições de segurança.
Avisos já indicam que a conectividade pode oscilar nos próximos dias, sem garantias de estabilidade plena. Observatórios pedem cautela ao interpretar o ritmo de restauração e o impacto econômico imediato.
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