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Operação Compliance Zero mira ex-governador do RJ Claudio Castro

PF mira Cláudio Castro na 8ª fase da Compliance Zero; apura transferência de cerca de R$ 3 bilhões de Rioprevidência para o Banco Master

Cláudio Castro em cobertura na Barra da Tijuca. Ex-governador é alvo de buscas da Polícia Federal — Foto: Charles Júnior/ TV Globo
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  • PF deflagra a oitava fase da Operação Compliance Zero, mirando Cláudio Castro, em apurações sobre repasses de recursos estaduais ao Banco Master.
  • A investigação aponta aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo que administra aposentadorias do estado, para o conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro.
  • Mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, com base em indícios de uso de recursos públicos para socorrer o Banco Master.
  • O Tribunal de Contas do estado já havia apontado graves irregularidades nessas operações e proibido novos investimentos ligados ao grupo Master.
  • O caso se insere em desdobramentos anteriores, que envolveram fraudes, lavagem de dinheiro, espionagem e ações de autoridades, incluindo o BRB e episódios de vazamento interno.

A Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura supostas fraudes bilionárias, uso de recursos públicos, lavagem de dinheiro, espionagem e corrupção envolvendo o Banco Master, políticos e agentes públicos. O alvo mais recente é o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). A ação ocorre em meio a desdobramentos que já envolvem familiares de Daniel Vorcaro, executivos do banco e figuras públicas.

A PF apura aportes de cerca de R$ 3 bilhões de recursos estaduais do Rio de Janeiro para o conglomerado ligado a Vorcaro. Segundo autoridades, o dinheiro partiu do Rioprevidência, fundo que administra benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. O objetivo é identificar esquemas de fraude, ocultação de patrimônio e possível cooptação de autoridades.

A operação se estrutura em fases distintas desde novembro de 2025. Em cada etapa, a PF expande o espectro de investigados e as medidas restritivas, com o objetivo de esclarecer a participação de executivos, familiares de Vorcaro, políticos e servidores públicos.

Fase 1

A primeira etapa, deflagrada em novembro de 2025, apura emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e promessas de juros acima da média. O principal alvo foi Daniel Vorcaro, preso no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava viajar para Dubai. Ao todo, sete pessoas foram presas.

Diretores do Banco de Brasília (BRB) também foram afastados por suspeitas de participação em operações fraudulentas. O prejuízo potencial estimado vai até R$ 12 bilhões, envolvendo investidores que aceitaram as altas taxas. Vorcaro ficou em prisão domiciliar via tornozeleira eletrônica após 12 dias de detenção.

Fase 2

Deflagrada em janeiro de 2026, a segunda fase rastreou o patrimônio da família Vorcaro. Mandados atingiram pai, irmã e cunhado do banqueiro, além de outros investidores. O STF autorizou 42 buscas e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.

Durante as diligências, foram apreendidos relógios de luxo, carros importados e dinheiro em espécie. Investigações sugerem uso de fundos de investimento para ocultar recursos desviados do banco. Nelson Tanure e João Carlos Mansur também foram alvo de ações.

Fase 3

Em março de 2026, a PF ampliou o foco para intimidação, espionagem e invasão de sistemas. Daniel Vorcaro voltou a ser preso, junto com o cunhado Fabiano Campos Zettel e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.

A PF aponta a atuação de grupos responsáveis por pressionar testemunhas, intimidar adversários e monitorar autoridades. Um núcleo denominado “A Turma” seria encarregado de executar as ações praticadas pela organização.

Mourão morreu horas após a prisão, considerado suicídio pela investigação. A PF concluiu que, mesmo com o óbito, as apurações seguem para identificação de demais participantes.

Fase 4

Lançada em abril de 2026, a quarta fase foca em aportes do BRB ao Banco Master entre 2024 e 2025, totalizando R$ 16,7 bilhões. Desses, ao menos R$ 12,2 bilhões apresentavam indícios de irregularidades nas garantias e na origem dos ativos.

O período coincide com a negociação do BRB para assumir o controle do Banco Master, o que gerou suspeitas de uso de recursos públicos para socorro financeiro a uma instituição privada. A defesa do BRB afirma que as operações eram regulares.

Fase 5

Deflagrada em 7 de maio de 2026, a quinta fase atinge o núcleo político. O senador Ciro Nogueira (presidente do PP) é alvo de mandados em Brasília e no Piauí, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Relatos indicam pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil a Nogueira, financiados por Vorcaro ou por empresas associadas, em troca de atuação favorável a interesses do Banco Master. Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, também foi preso.

Fase 6

A sexta fase, em 14 de maio de 2026, envolve prisão do pai de Vorcaro e de um policial federal. Henrique Vorcaro é apontado como coordenador de ações de intimidação; o agente Anderson Wander da Silva Lima também foi detido.

A investigação aponta uso de dados sigilosos para monitorar possíveis adversários e proteger interesses do grupo. Há também indícios de tentativas de destruição de provas anteriores à operação.

Fase 7

Em 19 de maio de 2026, a sétima fase investiga vazamentos dentro da PF. Um perito criminal federal é suspeito de disseminar informações sigilosas obtidas durante as fases anteriores.

Mandados de busca e suspensão de funções foram aplicados, com o objetivo de apurar se os vazamentos comprometeram a coleta de provas e a identificação de novos envolvidos. As autoridades destacam a importância da preservação do sigilo.

Fase 8

A oitava fase, anunciada em 26 de maio de 2026, mira Cláudio Castro, então governador do Rio de Janeiro. A PF investiga a transferência de cerca de R$ 3 bilhões de recursos estaduais para fundos ligados ao Banco Master, principalmente por meio do Rioprevidência.

O TCE-RJ já havia apontado graves irregularidades nessas operações e recomendado a proibição de novos investimentos ligados ao grupo Master. A fase é tratada como desdobramento de investigações sobre investimentos de risco para fundos públicos.

A Compliance Zero segue em andamento, com novas diligências e possíveis desdobramentos envolvendo autoridades e investigados. As informações seguem sob verificação das autoridades competentes.

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