- O cineasta Josias Teófilo afirmou que Dark Horse, filme sobre Olavo de Carvalho, tinha potencial de causar estragos por ser impróprio ao mercado e às vésperas da eleição.
- A produção seria orçada em cerca de R$ 134 milhões, valor considerado improvável no cinema brasileiro, com comparação ao filme Bruna Surfistinha que arrecadou R$ 4,2 milhões.
- Teófilo aponta irregularidades, como o papel de Flávio Bolsonaro na captação de recursos e a menção a pagamentos em áudio a um investidor, o que foge da prática comum de produção.
- Há controvérsia sobre financiadores estrangeiros e alegações de informação enganosa sobre investidores, incluindo um print no IMDB atribuindo financiamento aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump.
- Segundo relatos, parte do dinheiro pode ter passado por um fundo no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, com repasses à produtora; documentos comprovantes ainda não foram apresentados.
Duas pistas sobre o filme Dark Horse colocam em xeque a viabilidade e a forma de captação de recursos. O cineasta Josias Teófilo, conhecido por O Jardim das Aflições, já alertava há dias que o projeto poderia enfrentar problemas de mercado e legalidade.
Teófilo afirmou, por telefone, que investir 134 milhões de reais em um filme brasileiro é impraticável, citando exemplos de produções nacionais com orçamentos bem inferiores. A cinebiografia sobre Olavo de Carvalho envolve atores, produtores e investidores internacionais, segundo apurações.
O filme ainda não tem produção executiva definida de Flávio Bolsonaro, senador, e as declarações de captação teriam feito referência direta a pagamentos a investidores, o que geraria discrepância com a função formal de cada um na obra, conforme a leitura de Teófilo.
Nos bastidores, crescem dúvidas sobre declarações de investimento externo e sobre a participação de Mário Frias, ex-secretário de Cultura, que, segundo Teófilo, sustentava a existência de um investidor norte-americano, fato que não é confirmado.
Outra linha envolve supostos repasses de recursos para um fundo no Texas, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, para posterior repasse à produtora. Documentos que comprovem esses repasses não foram apresentados.
Audios e movimentações de bastidores passaram a circular em grupos de WhatsApp de cultura e cinema, com referências a financiações atribuídas ao presidente estadunidense e a outros nomes. A veracidade dessas informações não foi comprovada pela reportagem.
Em Cannes, Teófilo classificou o que vê como inconsistências no projeto e, ao comentar sobre a captação, sugeriu que procedimentos comuns incluem contas em nome da produtora para recebimento de valores. A equipe nega confirmações oficiais sobre o financiamento externo.
O Intercept revelou áudio onde Frias afirma que o filme pode mexer com o sentimento público, o que gerou repercussão entre interessados no projeto. A assessoria de Frias não respondeu a pedidos de comentário encaminhados pela imprensa.
Na quinta-feira, a reportagem esteve em Dallas, no escritório de Paulo Calixto. A agenda foi encerrada com a informação de que o advogado não havia comparecido e não havia confirmação sobre próximos posicionamentos.
A novela em torno de Dark Horse envolve a disputa de narrativa sobre financiamento, relações entre o círculo bolsonarista e investidores, além de possíveis fluxos de recursos entre Brasil e EUA, ainda sem explicações públicas completas.
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