- Um drone iraniano atingiu a base britânica de Akrotiri, no sul de Chipre, no fim de março, causando poucos danos à pista e a um hangar, mas reacendendo o debate sobre a presença britânica na ilha.
- O governo chipriota pediu renegociação sobre o uso das bases com Londres; o governo britânico afirmou que o status legal das bases soberanas não está sujeito a mudanças.
- As bases de Akrotiri e Dhekelia cobrem cerca de 3% do território de Chipre e são Territórios Britânicos de Ultramar, com 11.000 habitantes locais, o que alimenta controvérsias sobre soberania.
- Chipre planeja levar a questão à diplomacia europeia durante a presidência rotativa da União Europeia, com a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais caso não haja acordo.
- O governo de Chipre tem criticado o Reino Unido por declarações sobre o papel das bases, afirmando que a ilha enfrenta incertezas em relação à sua defesa durante crises no Oriente Médio.
O governo de Chipre pediu renegociação do uso das bases britânicas no sul da ilha após o ataque de um drone de fabricação iraniana à base de Akrotiri, em março. O episódio ampliou o debate sobre a presença britânica em Chipre e sua relação com o processo de descolonização.
O drone, lançado a partir do território libanês, causou danos a uma pista e a um hangar, mas elevou o impacto estratégico para a projeção militar do Reino Unido na região. Cazas britânicos e gregos derribaram outros projéteis nos dias seguintes, com países europeus enviando navios ao Mediterrâneo oriental para apoiar Chipre.
As autoridades cipriotas destacaram a falta de clareza sobre o papel das bases. O governo em Nicosia não controla nem recebe todas as informações sobre o armamento transportado para Akrotiri e Dhekelia. O tema ganhou força após declarações de que as bases representam uma herança colonial.
Descolonização incompleta
Especialistas lembram que Chipre nunca foi plenamente independente, já que Londres manteve parte do território sob soberania externa. A presença militar é vista por críticos como um entrave à soberania nacional e à solução para a divisão da ilha, que persiste entre uma zona turcochipriota no norte e uma região grecochipriota no sul.
A posição de autoridades cipriotas é de exigir maior transparência e renegociação. O chefe do governo, Nikos Christodoulides, tem criticado a mudança de tom britânica desde o início da guerra no Oriente Médio, destacando a necessidade de definir o papel das bases em qualquer acordo futuro.
Caminho institucional
O governo cipriota, que lidera a presidência rotativa da UE neste mês, busca levar o tema à agenda europeia. O objetivo é obter apoio para abrir negociações bilaterais com o Reino Unido ou recorrer a instâncias internacionais, caso não haja acordo. Fontes diplomáticas citadas no debate destacam que a colaboração com aliados do Mediterrâneo tem sido uma resposta comum às ameaças regionais.
A posição britânica permanece inalterada: as bases são consideradas soberanas e não estão abertas a renegociação. Em declarações oficiais, o governo de Londres reforça que o estatuto legal das bases permanece sólido e que a cooperação com Chipre é necessária para questões de segurança regional.
Chipre registra que as bases cobrem cerca de 3% do território da ilha e não se limitam apenas às instalações militares, incluindo também áreas habitadas. A discussão envolve também a percepção de que acordos bilaterais entre ex-poderes coloniais e ex-colônias moldam a geopolítica local e influenciam as perspectivas de resolução técnica para a crise regional.
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