- Milhares de mineiros assalariados e camponeses ocuparam as ruas de La Paz, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
- A polícia tentou impedir a passagem pela praça Murillo, principal centro do poder, com uso de gás lacrimogêneo; houve troca de dinamite entre manifestantes e forças de segurança.
- O ex-presidente Evo Morales, aliado aos protestos, atua do Chapare para evitar ordem de captura, mantendo-se como uma figura de oposição.
- O governo atribui a organização das ações a Morales e a seus apoiadores, que chamaram a “marchae pela vida” até a sede do governo.
- A crise econômica, com alta inflação e problemas de combustível, alimenta os protestos, enquanto o FMI estima queda de 3,3% do PIB em 2026.
Miles de mineros assalariados e camponeses enfrentaram a polícia em La Paz, na Bolívia, na tarde desta segunda-feira. O objetivo era avançar para a praça Murillo, sede do governo, para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. A batalha durou cerca de três horas e foi marcada por confrontos com uso de gás lacrimogêneo e explosivos. A polícia resistiu aos acessos pela área central da cidade.
Os manifestantes, que já ocupavam pontos-chave desde o começo do dia, contavam com o apoio de líderes do Chamapre, região cocalera, onde está o ex-presidente Evo Morales. Morales está sob risco de captura por um processo envolvendo alegações de obrigar a presença de terceiros em investigações, e sua mobilização é vista como influência direta sobre a pressão popular. A massa protestante também contesta políticas do governo de Paz, que assumiu há cerca de seis meses.
Contexto político e motivos
Morales pediu aos camponeses que integrem uma marcha em direção à sede do governo, intitulada marcha pela vida para salvar a Bolívia. O objetivo é pressionar Paz a abandonar o cargo, sob o argumento de que as medidas do governo beneficiam elites empresariais e setores agroindustriais. Autoridades do governo atribuem a organização dos atos a Morales, afirmando que a marcha foi coordenada pelo Chapare.
O governo afirma que a mobilização não é espontânea, mas organizada, com participação de setores que já protestavam ao chegar a El Alto, cidade vizinha de La Paz. O ministro da Defesa, Marco Antonio Oviedo, disse que a marcha é dirigida a partir do Chapare, reiterando a responsabilidade de Morales pela organização.
Impactos e desdobramentos
As paralisações começaram há cerca de três semanas, com bloqueios em vias de acesso e pactos entre sindicatos, minérios e organizações locais. Os manifestantes rejeitam o governo e pedem a renúncia de Paz. O grupo alega que as decisões do governo favorecem elites e que o gabinete não representa as necessidades da população.
A situação econômica também pesa. O FMI projeta queda do PIB da Bolívia em 2026, estimando retração de 3,3%, o que intensifica a pressão social. Além disso, há críticas sobre a qualidade dos combustíveis e a inflação prevista acima de 20% ao ano, alimentando o descontentamento.
Medidas oficiais e cenário atual
A promulgação de uma lei anterior que permitia a conversão de pequenas terras em garantias de crédito gerou temores de concentração de terras. A norma foi devolvida à Assembleia e posteriormente revogada, mas isso ocorreu após o acúmulo de protests. Enquanto isso, La Paz permanece isolada do restante do país, com desabastecimento em mercados e escassez de itens básicos.
No fim de semana, o governo enviou policiamento e tropas para desobstruir rotas, mantendo a orientação de não recorrer a armas de fogo. A tensão deve continuar à medida que as partes envolvidas avaliam próximos passos e eventuais negociações.
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