- A Comissão Europeia convidou uma delegação talibã para Brüssel, em junho, para discutir formas de ampliar as deportações de migrantes sem direito de asilo.
- Organizações de direitos humanos e grupos de esquerda alertam que o diálogo pode legitimar o regime talibã, que está no poder desde 2021 no Afeganistão.
- A iniciativa ocorre em meio a um endurecimento da política migratória da UE e a planos de criar centros de deportação fora do espaço comunitário.
- Dados da Agência de Asilo da UE indicam que afegãos foram os nacionais com mais pedidos de asilo em 2025, com cerca de 17.000 solicitações.
- Críticos, incluindo o eurodeputado Juan Fernando López Aguilar, afirmam que a reunião representa uma queda de padrões morais da UE e rejeitam cooperação com o regime talibã.
A União Europeia confirmou a realização de uma reunião com uma delegação do governo talibã para discutir vias de aumentar as devoluções de migrantes. A missão deve ocorrer em Bruxelas, com participação de membros da Comissão Europeia, do Serviço de Ação Exterior (SEAE) e de Estados-membros, incluindo a Suécia, que ajuda a coordenar os contatos.
A iniciativa ocorre após um encontro técnico entre talibanes e autoridades europeias no Afeganistão. O objetivo declarado é explorar vias práticas e diplomáticas para ampliar as expulsões de migrantes sem direito a asilo, especialmente com histórico de irregularidades em seus pedidos.
Reação e cenário político
Grupos de direitos humanos e setores da esquerda europeia reagiram com críticas, apontando risco de legitimação do regime talibã. Parlamentares socialistas questionam a legitimidade de dialogar com autoridades sem reconhecimento formal pelo governo afegão.
No Parlamento Europeu, o tema desperta mal-estar entre defensores de direitos humanos. Em 2024 e 2025, a instituição aprovou resoluções condenando o regime talibã e pedindo respeito aos direitos das mulheres, além de aumentar a ajuda humanitária.
Contexto institucional e legal
A UE acelera um giro rígido na migração, com o objetivo de ampliar as devoluções e reforçar a externalização de fronteiras. O reglamento de retorno, em tramitação, é visto como ferramenta para ampliar detenções e flexibilizar procedimentos de retorno.
A discussão sobre dialogar com autoridades afegãs integra uma estratégia mais ampla de alguns Estados-membros, que buscam acordos de deportação com terceiros países. A UE sustenta que apenas uma parcela das ordens de expulsão resulta em de fato efetivadas.
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