- Grupos de segurança online dizem estar frustrados com a falta de liderança de Keir Starmer para bloquear envio de imagens nuas de crianças em dispositivos, após Jess Phillips anunciar saída do governo.
- Phillips, uma das quatro ministra a deixar o governo, escreveu que levou mais de um ano para concordar em até ameaçar legislar, em vez de agir de forma mais ousada.
- A Internet Watch Foundation afirma que a tecnologia para bloquear imagens já existe e seria um passo importante para reduzir a produção de conteúdo de abuso sexual infantil.
- A estratégia de violência contra mulheres e meninas prometeu ações com as empresas de tecnologia, mas não houve legislação obrigando o bloqueio por padrão; o plano apenas sinalizou cooperação com o setor.
- Em dois mil e vinte e quatro, noventa e um por cento dos relatos de abuso com imagens de menores identificados pela IWF eram auto-gerados; policiais registraram sete mil duzentos e sessenta e três delitos no último ano.
A campanha de segurança online reagiu com frustração às lideranças ausentes no governo britânico para bloquear imagens de abuso sexual infantil em aparelhos de crianças, após Jess Phillips deixar o Ministério. Phillips se demitiu, dizendo que oportunidades de avanço estavam estagnadas e adiadas. A deputada trabalhista integrada ao governo deixou o cargo na terça-feira, juntando-se a mais de 80 deputados que pedem a saída do primeiro-ministro.
Dentre as medidas discutidas, o grupo pediu que o governo obrigasse empresas de tecnologia a impedir o envio e recebimento de imagens nuas nas telas de crianças. A avaliação é de que a tecnologia para restringir esse envio já existe e poderia reduzir a produção dessas imagens ao reduzir a circulação na origem.
As críticas apontam que houve o apoio interno em ministérios como o Home Office e o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia, mas enfrentaram resistência no palácio de Downing Street. A expectativa era que o governo anunciasse propostas já em março, na estratégia de violência contra mulheres e meninas, publicada em dezembro.
Segundo a Internet Watch Foundation (IWF), em 2024, 91% dos casos de imagens de abuso infantil identificados como crime envolviam conteúdo autogenerado. O levantamento também indica aumento de 7.263 crimes envolvendo comunicação com menores no último ano, registro que quase dobrou desde 2017-2018.
Hannah Swirsky, responsável pela política pública da IWF, afirmou que a tecnologia para bloquear imagens existe e sua aplicação representaria um passo significativo no combate ao abuso infantil, ao impedir a produção de grande parte de tais imagens na origem. A crítica é de lentidão governamental para avançar com medidas eficazes.
Fontes que acompanharam as tratativas indicam apoio interno dentro do governo, porém uma barreira de inércia em Downing Street dificultou o avanço. Questionamentos surgem sobre a proximidade entre empresas de tecnologia e o governo, sugerindo que prioridades de acordo comerciais teriam desviado o foco de segurança online.
Entidades ligadas à proteção infantil destacaram a frustração com o que chamam de abordagem incremental. Representantes lembram que adoção ampla dessas medidas poderia colocar o Reino Unido como referência global no combate ao abuso online, exigindo ações mais decisivas por parte do governo.
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