- María Corina Machado afirma que o retorno a Venezuela depende do momento certo e do peso dos Estados Unidos, buscando garantir eleições que assegurem a soberania do país.
- Em mais de cem dias desde a mudança política, aponta avanços como várias manifestações diárias, liberação de mais de seiscentos presos políticos e avanços na liberdade de expressão, mas reconhece que a economia continua sob dificuldades extremas (inflação de 650% e alta pobreza).
- Propõe um acordo nacional amplo para definir regras como não reeleição, bicameralidade e Estado de Direito, com negociação aberta envolvendo o chavismo e atores internacionais, inclusive a Espanha, para acelerar a transição.
- Destaca que a cooperação internacional, especialmente dos Estados Unidos, é essencial para garantir uma transição ordenada e legítima, e que o retorno dele seria facilitado pela coordenação com aliados.
- Afirma que a implementação de um cronograma claro, com preparação institucional e segurança jurídica, é crucial; acredita que o apoio de muitos setores, incluindo cidadãos, investidores e governantes, pode transformar o país durante a transição.
María Corina Machado mantém a agenda de buscar eleições como caminho para a soberania venezuelana, enquanto ainda está no exterior. A líder, de 58 anos, enfrenta a pressão de retornar ao país e enfrentar o regime chavista, com foco em consolidar uma transição democrática.
Em Washington, Machado conduz uma rodada de encontros com autoridades, empresários e comunidades venezuelanas no exterior. A equipe a acompanha em uma oficina modesta, dedicada ao planejamento estratégico de uma Venezuela futura, onde a governança e o Estado de Direito são prioritários.
O contexto venezuelano, segundo a dirigente, mudou em diferentes planos. Politicamente, houve manifestações diárias e a libertação de mais de 600 presos, ainda que centenas permaneçam encarcerados. Economicamente, surgem limites à gestão de fundos e a entrada de investimentos, com inflação elevada e pobreza generalizada.
Machado afirma que a expectativa de mudança persiste, ainda que o ritmo seja alvo de ceticismo. Ela destaca tensões sociais, onde produtos aparecem nas prateleiras, mas muitos não têm condições de compra, refletindo uma economia fragilizada sem garantias plenas de direitos civis.
A líder reconhece o peso da atuação internacional, especialmente dos Estados Unidos, para assegurar uma transição ordeira. Salienta que a soberania popular depende de apoio externo, e cita a necessidade de um cronograma claro para que eleições ocorram com legitimidade.
Sobre o cenário eleitoral, Machado afirma que o tempo técnico para organizar um novo Conselho Nacional Electoral é determinante, mas não impede avanços. Ela recomenda começar já, mesmo considerando a possibilidade de reduzir prazos para acelerar o processo.
Quanto ao papel de aliados, a dirigente sustenta que o apoio de Washington é fundamental para a transição. Observa que o país precisa de instituições confiáveis, com justiça independente e igualdades perante a lei, para atrair investidores e credores.
No que tange a governança, Machado defende mudanças estruturais amplas, como fortalecimento do Estado de Direito, limites ao presidencialismo e a descentralização real. Também aponta a importância de uma não reeleição e de um sistema bicameral como componentes do consenso nacional.
Sobre a relação com o chavismo, a líder admite que a transição envolve negociações difíceis, com condição de que crimes e corrupção sejam enfrentados. Também ressalta a necessidade de preservar direitos de quem esteve no poder, desde que haja compromisso com reformas profundas.
Quando questionada sobre a volta ao país, Machado aponta que não existem obstáculos objetivos para retornar. Ela indica que precisa concluir compromissos externos e internos antes de regressar, sem descartar a possibilidade de fazê-lo em breve.
A mandatária ressalta que a decisão de retornar depende de onde pode oferecer maior utilidade para o país. Ela enfatiza que o equilíbrio entre retorno e contribuição internacional é crucial para facilitar a transição necessária.
Entre críticas e controvérsias, Machado afirma que atos de radicais do exílio não refletem a essência do movimento. Ela descreve o exílio como espaço de diálogo e construção de apoio, com a expectativa de que a Venezuela avance por vias democráticas e transparentes.
Em termos de país dividido, a líder reforça que não se trata de dois Ve ne zu el as, mas de um projeto comum para uma sociedade com dignidade, responsabilidade e respeito à lei. O objetivo é mobilizar investidores de forma transparente, alinhados a um marco regulatório estável.
Para o futuro, Machado destaca que o país precisa reconstruir confiança entre cidadãos, investidores e governos. O caminho passa pela construção de instituições fortes, com combate à impunidade e à corrupção, para sustentar uma transição democrática estável.
A líder também comenta a experiência de apoio internacional, afirmando que a presença de aliados e a cooperação com outras nações serão determinantes para consolidar a transição. Esclarece que decisões serão tomadas com base na evolução do processo e nos benefícios para o povo venezuelano.
Conclui que a esperança reside na participação popular, na clareza de propostas e na construção de um governo que respeite direitos, promova pluralismo e valorize a governança baseada na lei. O movimento permanece comprometido com uma Venezuela mais estável e justa.
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