- O porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, afirmou que países que seguirem os EUA na imposição de sanções enfrentariam dificuldades ao transitar pelo estreito de Ormuz, e negou um bloqueio, dizendo que o comércio marítimo iraniano continua normal.
- Teerã enviou, por meio do mediador Paquistão, a sua resposta à última proposta de alto el fogo dos Estados Unidos; ainda não há conteúdo divulgado nem avaliação oficial de Washington.
- Akraminia renovou as ameaças aos EUA, advertindo que, em caso de nova agressão, o adversário enfrentará “outras opções surpreendentes”.
- O vice‑ministro iraniano de Relações Exteriores, Kazem Garibabadi, avisou França e Reino Unido de resposta firme a possível envio de navios militares; Paris e Londres planejam missões no Mar Vermelho e no golfo de Adén para cooperação de segurança marítima.
- Diversas vozes políticas, acadêmicas e econômicas questionam a estratégia de pressão sobre Ormuz, discutindo consensos internos, impactos econômicos e a viabilidade de sanções prolongadas para Teerã.
O Irã enviou nesta semana a resposta a uma proposta de paz dos EUA através de um mediador paquistanês, enquanto reforça ameaças relacionadas ao estreito de Ormuz. O governo iraniano afirma que navios que assumirem o papel dos EUA no endurecimento de sanções enfrentarão dificuldades para transitar pelo estreito. A mensagem ocorre no momento em que Tóquio não envolve o país e o fluxo comercial afirma continuar estável, segundo o exército.
O porta-voz do Exército, o general Mohammad Akraminia, declarou à IRNA que o bloqueio imaginado é parte de uma campanha de propaganda para neutralizar a gestão iraniana sobre o estreito. Ele ressaltou que o comércio marítimo do Irã continua fluindo com normalidade, apesar das tensões.
A mesma agência informou que Teerã enviou a sua resposta à última proposta de alto fogo dos EUA, por meio de um mediador paquistanês. Até o momento, não há divulgação do conteúdo da resposta nem confirmação sobre a receptividade da Administração de Donald Trump.
Akraminia renovou as advertências ao governo dos EUA, afirmando que se houver agressão ou erro de cálculo, o inimigo enfrentará opções surpreendentes. As declarações provocam leitura de forte tom dissuasório por parte de Teerã.
Vias de reação internacional
O viceministro iraniano de Exteriores, Kazem Garibabadi, alertou a França e o Reino Unido de respostas firmes e imediatas caso naves militares avancem para o Golfo. Paris e Londres planejam enviar unidades ao Mar Vermelho e ao Golfo de Adên para cooperação de segurança marítima.
Questionamentos internos
Diversas figuras políticas, acadêmicas e econômicas questionam publicamente a estratégia de pressão sobre Ormuz, mais de um mês após o alto fogo com os EUA. O politólogo Mohammad Ghaedi, de George Washington, aponta que não há pesquisas confiáveis sobre opinião pública iraniana sobre o fechamento do estreito, mas observa uma polarização clara na sociedade.
Um segmento da população defende a narrativa de dissuasão, enquanto outro, impactado por sanções e isolamento, vê as medidas como arriscadas economicamente. Davoud Ranguí, da Câmara de Comércio, defende a normalização do trânsito por Ormuz e alerta para o risco de perder relevância estratégica se o estreito permanecer bloqueado. Ele afirma que o comércio internacional tende a buscar rotas alternativas em crises prolongadas.
Ata Hosseinian, analista de energia em Berlim, sustenta que o Irã precisa de recursos para reforçar capacidades militares, mas reconhece que o bloqueio marítimo compromete receitas em divisas, levando o país a buscar negociações. Especialistas ressaltam ainda que pressões externas não substituem a necessidade de acordos.
Reação interna ao debate público
A atuação de vozes críticas também provocou reação judicial. A Fiscalía de Teherán abriu processos contra o jornalista Abbas Abdi, por artigos que contestam políticas belicistas. O caso foi registrado pela agência Mizan, órgão do poder judiciário, baseado em um texto que criticava a insistência em ações militares.
A fiscalia também apresentou acusações contra Sadegh Zibakalam, professor de ciências políticas, por declarações concedidas a uma agência de notícias. As falas tratavam de estratégias de manifestações noturnas e de pressões nacionais, segundo a avaliação do órgão judicial.
Contexto econômico e mensagens oficiais
Paralelamente, autoridades iranianas intensificaram apelidos à austeridade. O presidente Masoud Pezeshkian ressaltou a necessidade de economizar energia, chegando a afirmar que economizar luz é equivalente a enfrentar inimigos. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, pediu à população que também recomende que outros economizem.
Especialistas ressaltam que o aparato decisório iraniano permanece centralizado e pouco sujeito à influência pública. A percepção de que o governo pode alterar políticas com base em pressões populares é usada com cautela por analistas, que apontam fatores estruturais como determinantes.
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