- A liderança iraniana atual inclui Mojtaba Khamenei e figuras mais radicais; o regime permanece como sistema com múltiplos centros de poder, substituindo dirigentes mortos, com Mohammad Bagher Ghalibaf como figura poderosa e Mohammad Bagher Zolghadr como novo assessor de segurança nacional.
- Os entrevistados destacam que o grupo é mais linha-dura e menos avesso ao risco do que a gestão anterior, adotando postura beligerante e ações que visam pressionar Israel e países vizinhos, inclusive o fechamento do estreito de Hormuz.
- O comando e controle se mantém, com método de mosaico que envolve as 31 províncias e retaliações conectadas entre alvos no Irã e em outras partes da região, sugerindo coordenação mesmo sem comunicação totalmente digital.
- Em diplomacia, alguns canais permanecem ativos, como o ministro das Relações Exteriores, Hossein Araghchi, e o presidente Masoud Pezeshkian; não há sinais de Mojtaba Khamenei se pronunciar publicamente.
- O objetivo iraniano é sobreviver e “não perder”, buscando, se possível, obter concessões dos Estados Unidos e de Israel ao manterpressão e ampliar custos, contando com apoio externo de Rússia e China e com a possibilidade de escaladas regionais para pressionar o Ocidente.
O Irã mantém o conflito no Oriente Médio em nível elevado, mesmo com forças militares debilitadas. A liderança atual pressiona os EUA para escalada ou mudança de curso, enquanto os custos aumentam para Teerã. Qual é o seu cálculo estratégico?
Numa conversa com Ali Vaez, analista da International Crisis Group, o foco foi entender quem comanda hoje, como funciona o sistema iraniano e quais são as leituras de fim de jogo na guerra em curso. O diálogo completo está disponível para assinantes.
Liderança e estruturas de poder
O Irã continua sob a República Islâmica, mas com novas figuras no topo. Mojtaba Khamenei, filho do líder, e outros núcleos de poder substituem nomes assassinados. O presidente e o porta-voz do parlamento permanecem, fortalecendo o funcionamento do sistema.
Mohammad Bagher Ghalibaf lidera o parlamento e já liderou a Guarda Revolucionária. Mohammad Bagher Zolghadr assume a assessoria de segurança nacional, substituindo Ali Larijani. O grupo militar permanece central para decisões-chave.
Capacidade de comando e comunicação
Especialistas afirmam que não há sinais de ruptura de comando. O regime adotou um modelo de mosaico, com operações coordenadas entre províncias para preservar governabilidade. Mesmo sem comunicações digitais, o centro mantém controle com contatos presenciais.
Alguns relatos sugerem uso de mensageiros para comunicações de alto escalão, reduzindo riscos de interceptação. O sistema reage a ataques com retaliação cruzada entre alvos na região.
Diplomacia, negociações e contatos externos
Alguns interlocutores externos continuam atuando como canais de negociação, como o ministro das Relações Exteriores, Hossein Afsharjad? (nota: ajuste se necessário). O governo também tem representantes que dialogam com a União Europeia e parceiros regionais.
A ausência de sinal público de Mojtaba Khamenei pode indicar vulnerabilidade ou coordenação entre comandantes. Ainda assim, a tomada de decisão final ficaria a cargo de generais e do consórcio de lideranças militares.
Estratégia de escalada e cenários
Especialistas destacam que a liderança iraniana é mais hard-line e menos avessa a riscos do que a anterior. A leitura é de que o objetivo é não perder, mesmo ante custos elevados, mantendo fluxo de apoio externo e redes regionais.
O petróleo, aliados como Rússia e China, e o fechamento do Estreito de Hormuz moldam o cálculo de resistência iraniana. A afirmação central é que Teerã busca sobreviver para obter concessões futuras.
Possíveis desfechos e dilemas para Washington
Os analistas destacam que cenários de retirada americana poderiam manter pressão sobre Israel, com o Irã mantendo controle sobre Hormuz. Escalar militarmente, por sua vez, elevava custos e riscos estratégicos para os EUA.
Caso a intervenção desça para terra firme, haveria altas baixas e deslocamentos geopolíticos; o Irã busca manter vantagem relativa com apoio regional e interrupção de rotas comerciais.
Observação final sobre o confronto
O estudo aponta que o desenvolvimento do conflito pode favorecer Teerã caso perdure, com riscos para a economia global e para a posição de Washington. As decisões dependem de avaliações contínuas dos custos e das concessões-chave.
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