- Pastor Oliver Costa Goiano, coordenador nacional dos evangélicos do PT, disse que a fantasia de “família em conserva” da Acadêmicos de Niterói foi um excesso.
- Ele afirmou que isso não deve impactar o desempenho eleitoral do PT entre evangélicos, pois eles não votam pelo Carnaval e não acompanham os desfiles.
- Goiano destacou que evangélicos costumam não definir voto pelo Carnaval e que a cerimônia não representa o público dele.
- O pastor afirmou que a preocupação da igreja evangélica deve ser com os excessos vistos em eventos como a Marcha para Jesus, não com o Carnaval.
- Também criticou a instrumentalização da fé pela direita e rejeitou comparações entre a igreja e políticas de esquerda ou de direita, defendendo um papel profético da igreja.
O pastor batista Oliver Costa Goiano criticou a fantasia de “neoconservadores em conserva” apresentada pela Academia de Niterói, alegação que ele classificou como excesso. Goiano é coordenador nacional do núcleo de evangélicos do PT.
Em entrevista ao UOL, ele disse não enxergar risco eleitoral para o PT entre evangélicos e afirmou que a festa do Carnaval não é parâmetro para voto desse público. Segundo o pastor, evangélicos não costumam acompanhar desfiles e não votam influenciados pelo Carnaval.
Fantasia criticada
A ala da Acadêmicos de Niterói, descrita pela imprensa como uma das mais criticadas por bolsonaristas, teria a intenção de representar a “família tradicional”. Goiano, casado e pai de três filhos, disse ter ficado incomodado com a mensagem, entendendo-a como visão diversa de família que não se restringe à sua.
Para o pastor, a festa popular não define a posição dos evangélicos. Ele afirma que o Carnaval é uma manifestação cultural distinta da vivência religiosa e que a relação entre evangélicos e o evento não é de influência direta no voto ao PT.
Excessos na Marcha para Jesus
Goiano aponta como preocupação da igreja evangélica os excessos que ocorrem em eventos como a Marcha para Jesus, e não o Carnaval. Segundo ele, muitos fiéis não interpretram a Bíblia da mesma forma que os evangélicos mais tradicionais, o que pode gerar divergências.
Ele afirmou que a leitura bíblica não deve ser usada para impor posições políticas a todos os fiéis, e ressaltou a defesa de direitos de pessoas de outras religiões e orientações sexuais. O pastor argumentou que o Brasil enfrenta índices de violência contra LGBT+ e mulheres, o que, para ele, requer atenção pública.
Instrumentalização da fé
Goiano afirmou que o núcleo evangélico do PT atua para evitar a instrumentalização da fé na política. Segundo ele, a presença de políticos de direita em ambientes religiosos gera pânico moral entre fiéis, misturando assuntos civis com questões espirituais.
O pastor destacou que é desejável um governo com princípios cristãos, mas ressaltou a necessidade de respeitar a diversidade religiosa e de orientações sexuais, defendendo a coexistência pacífica e o direito de existir de minorias.
Posicionamento sobre críticas de lideranças religiosas
Sobre o recado de um padre que criticou Nikolas Ferreira e pediu perdão após repercussão, Goiano afirmou discordar da posição do padre, mas disse que a igreja não deve expulsar fiéis por divergências políticas. Ele cuestionou a generalização de que a direita domina a prática religiosa no país.
O pastor insistiu que a igreja não é nem de esquerda nem de direita, mas busca atuar com foco no que considera valores cristãos. Ele reforçou que a atuação do PT junto aos evangélicos deve respeitar a autonomia de cada pessoa, sem impor doutrinas.
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