- Merz e Macron, em Munique, defenderam a democracia europeia e a cooperação transatlântica diante dos ataques de J. D. Vance, reiterando que a Europa precisa estar unida.
- Merz reconheceu a “brecha” entre EUA e Europa e disse que a guerra cultural do movimento MAGA não é a nossa, enfatizando limites à liberdade de expressão quando atinge a dignidade humana e a Lei Fundamental.
- Os líderes reforçaram a importância do livre comércio, de acordos climáticos e de fortalecer a cooperação com a Organização Mundial do Comércio para enfrentar desafios globais.
- Anunciaram estudos sobre dissuasão nuclear europeia, com Paris e Berlim conduzindo o debate, mantendo o objetivo de atuação dentro da OTAN.
- Divergências entre França e Alemanha ficaram claras em temas como emissão de dívida conjunta, futuro sistema de combate aéreo (FCAS) e diálogo com Putin, com Macron defendendo FCAS e eurobonos, e Merz demonstrando reservas sobre o diálogo direto com o presidente russo.
Friedrich Merz, chanceler alemão, e Emmanuel Macron, presidente da França, afirmaram em Munique a defesa da democracia europeia frente a ataques do trumpismo e a necessidade de uma Europa mais forte. Eles responderam ao discurso do vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, feito em 2025, e defenderam a relação transatlântica como base para enfrentar desafios globais.
Durante a primeira jornada da Conferência de Segurança, os dois líderes enfatizaram que a Europa não pode atuar isoladamente frente a adversários externos e internos. Merz reconheceu a existência de uma “brecha” entre EUA e Europa, citada por Vance, e disse que a expressão tem razão, mas rejeitou que a disputa cultural seja antecipada como confronto com Washington. Macron pediu responsabilidade na regulação para proteger a democracia.
Entre aplausos de ministros, diplomatas e especialistas, Merz afirmou que a liberdade de expressão tem limites quando atinge a dignidade humana e a ordem constitucional alemã. Ambos reiteraram apoio ao livre comércio, à cooperação climática e à Organização Mundial do Comércio, ressaltando que grandes desafios exigem ação conjunta.
Proteção nuclear
Macron e Merz anunciaram debates sobre modalidades para que a França proteja, em conjunto com a Alemanha, a defesa nuclear europeia, mantendo o tema sob a égide da OTAN. Merz informou ter iniciado conversas com Macron, enfatizando que a dissuasão deve permanecer restrita ao âmbito aliado. Macron descreveu a iniciativa como uma articulação entre a doutrina francesa e o interesse europeu comum.
A discussão sobre a proteção nuclear vem à tona em meio a diferenças históricas entre Paris e Berlim. França tem posição mais aberta a debates sobre financiamento público e diálogo com Moscou, ao passo que a Alemanha demonstra maior cautela. Essa tensão também aparece em outros temas, como o FCAS e a emissão de eurobonos.
Apesar das discordâncias, os líderes sinalizaram convergência em pontos centrais. Macron reforçou a necessidade de manter o FCAS vivo, enquanto Merz destacou a importância de relações estáveis com os EUA e de uma Europa que seja respeitada como parceira. O tom foi de cooperação, sem ruptura da aliança Atlântica.
Isto ocorre em meio a avaliações de analistas presentes em Munique sobre o momento decisivo para a Europa. Comentários apontaram a necessidade de reforçar autonomia estratégica sem abrir mão da aliança com Washington. A conferência não concluiu com posições definitivas, mas definiu diretrizes para próximos desdobramentos.
O encontro também contou com a participação de ex-chefes de governo e especialistas, que pontuaram a urgência de uma resposta europeia unitária a ataques à democracia. A discussão sobre a relação com Moscou e o papel da UE em defesa coletiva voltou a ocupar o centro do debate, sem indicar mudanças abruptas na política externa.
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