- PT está criando estratégia para dialogar com evangélicos sem transformar o partido em evangélico; Lula não fará batismo no rio Jordão para angariar votos.
- Reunião da cúpula em Salvador, durante as comemorações dos 46 anos do PT, contou com o presidente nacional Edinho Silva; Gutierres Barbosa destaca a ideia de desfazer fake news e falar com as pessoas, não com púlpito.
- Grupo inter-religioso do PT, ativo desde 2014, está presente em todos os estados e planeja formar grupos evangélicos nos territórios, com encontros regionais e um grande evento nacional em Brasília em junho.
- Pesquisas indicam dificuldade de atrair o público evangélico: 67% rejeitam o governo Lula; o PT já lançou cursos e cartilhas para esse público, e estima que, em 2024, cerca de 20% dos eleitos tenham sido evangélicos.
- Além de evangélicos, o grupo fará encontros com religiões de matriz africana em abril e com católicos em maio; há expectativa de reduzir o peso do tema religião na campanha de 2026 e ampliar formação política sem instrumentalização.
O PT reafirmou, nesta sexta-feira (6), que não pretende transformar Lula em figura religiosa para angariar votos de evangélicos. A ideia é ampliar o diálogo com esse eleitorado sem recorrer a ações simbólicas, como batismo, e sem transformar o partido em linha evangélica. A reunião ocorreu em Salvador, durante as comemorações de 46 anos da sigla, com a presença do presidente nacional Edinho Silva.
O objetivo central é desfazer fake news e aproximar as bases evangélicas por meio de grupos de conversa. O coordenador nacional do grupo setorial inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, afirmou que o movimento busca ouvir pessoas e fortalecer o diálogo direto, sem uso de púlpito como palanque. O grupo existe desde 2014 e ganhou força para vencer a rejeição a Lula entre evangélicos.
Ação do grupo inter-religioso
Segundo Gutierres Barbosa, o PT ampliou a atuação para todos os estados, passando de 12, em 2022, para os 27 hoje. A meta é criar núcleos locais em territórios onde o partido atua, com encontros estaduais e uma grande reunião nacional programada para Brasília, em junho. O objetivo é ampliar a presença de evangélicos na estrutura do partido sem abandonar a linha laica.
Além de evangelicos, o PT planeja encontros com religiões de matriz africana, em abril, e com católicos, em maio. A ofensiva busca consolidar uma base de apoio mais ampla e menos sujeita a narrativas de oposição. Dados de 2024 indicam avanço: cerca de 20% dos vereadores, prefeitos e vice-prefeitos eleitos no país eram evangélicos.
Desafios e próximos passos
A bancada acredita que, até 2026, a presença religiosa no PT pode se tornar mais estável e menos politicamente instrumentalizada. A estratégia inclui formação política dentro de espaços de fé, evitando discursos que possam parecer ofensivos ou partidários de forma agressiva. O PT também pretende apresentar dados reais para sustentar o debate com lideranças religiosas.
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