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Lula afirma que 90% dos evangélicos recebem benefícios; líderes criticam

Lula afirma que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo; líderes religiosos criticam a fala como tática política e estigmatização

Fala do petista irritou líderes evangélicos que que viram menosprezo na declaração. (Foto: EFE/Andre Borges)
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  • O presidente Lula disse, em Salvador, que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo e que é preciso ir lá conversar com esse público.
  • Ele afirmou que não é necessário esperar apoio dos evangélicos apenas por simpatia religiosa.
  • O dado de 90% não é confirmável por recortes oficiais; o censo de 2022 aponta 47,4 milhões de evangélicos no Brasil.
  • Cerca de 94 milhões de brasileiros recebem algum benefício federal, o que representa aproximadamente 44% da população, mas estimativas do IBGE indicam que evangélicos de baixa renda ficam entre 26 e 32 milhões.
  • Líderes evangélicos e políticos reagiram negativamente, dizendo que a fala reforça a ideia de transformar fé em alvo político e atribuir dependência ao Estado.

O presidente Lula participou de uma cerimônia em Salvador (BA) para comemorar os 46 anos do PT. Durante o discurso, ele pediu que a militância busque apoio entre os evangélicos e afirmou que 90% dessa população recebe recursos do governo. O objetivo, segundo o presidente, é ampliar a interlocução com esse segmento.

A declaração ocorreu no sábado, 7, em meio a críticas de parte da base religiosa e da oposição. Lula reforçou a necessidade de dialogar com evangélicos para ampliar a base de apoio do partido, sem mencionar recortes por religião nos cadastros de benefícios sociais.

Segundo dados oficiais, não há recorte religioso nos cadastros de programas assistenciais do governo. Ainda assim, a fala de Lula gerou questionamentos sobre a relação entre fé, políticas públicas e distribuição de recursos.

Reações de líderes evangélicos

Vereador paulistano reagiu dizendo que a afirmação evidencia uma estratégia antiga do partido, associando fé a dependência estatal. Já um deputado gaúcho destacou que o petismo busca desqualificar um grupo que tem forte oposição às propostas do governo.

Pastor ouvido pela reportagem considerou a fala reveladora e cínica, ao reduzir evangélicos a beneficiários do Estado. Ele afirmou que o cristianismo tradicionalmente se apoia no trabalho, na família e na igreja local, não em benesses governamentais.

Cristãos não devem ser vistos como massa de manobra, segundo o líder religioso. Ele acrescentou que a relação entre fé e poder precisa ser baseada em valores e responsabilidade, não em favorecimentos estatais.

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