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Agenda cristã no Congresso migra da moral ao punitivismo, aponta pesquisa

Agenda de segurança pública domina propostas de parlamentares cristãos na Câmara em 2025, com 668 PLs, impulsionada pela direita e por endurecimento penal

Agenda cristã no Congresso migra da moral para o punitivismo, mostra pesquisa
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  • Em 2025, a segurança pública foi o tema dominante entre projetos de deputados que se identificam como católicos, evangélicos ou cristãos na Câmara, totalizando 668 propostas, segundo monitoramento do ISER.
  • No conjunto de 3.320 projetos de parlamentares cristãos, a segurança pública aparece entre 17 temas; o PL aparece com 262 iniciativas, seguido por União (100), e, entre a esquerda, PDT (24) e PT (22).
  • Os autores mais ativos são Marcos Pollon (85 PLs), André Fernandes (61), Kim Kataguiri (42) e Capitão Alden (42), todos filiados à Frente Parlamentar Evangélica.
  • Os textos costumam propor endurecimento de penas, ampliação de conceitos como terrorismo e organização criminosa, militarização de guardas municipais e uso de tecnologias bélicas, além de medidas que reconhecem policiais que neutralizem criminosos.
  • Ceará aparece com 78 propostas, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro lideram o ranking por estados; o debate é associado a agendas eleitorais e ao bolsonarismo, com foco em reforçar a segurança pública como eixo político.

A segurança pública tornou-se o tema principal entre as propostas apresentadas por deputados que se identificam como cristãos na Câmara. Em 2025, foram 668 projetos nessa linha, segundo monitoramento do ISER obtido pela imprensa.

O levantamento rastreou 3.320 proposições assinadas por parlamentares que se declaram cristãos, organizadas em 17 temas. O foco em segurança pública é majoritário entre a direita, com o PL liderando com 262 PLs.

Entre os signatários, católicos somam 174, cristãos 170 e evangélicos 151, totalizando 485 propostas. Parlamentares identificados com outras religiões somam apenas cinco projetos.

O estudo aponta que a agenda contrasta com discursos de proteção à vida e à família, ao destacar ações de segurança. A Associação Nacional Movimento Pro Armas figura entre os principais apoiadores da pauta.

O que dizem os projetos

A maior parte das propostas visa endurecer penas, muitas vezes em resposta a episódios como a Operação Contenção, no Rio, citada por autores. Quase 60% dos textos vêm de parlamentares da direita.

Seis propostas ampliam conceitos de terrorismo e de organização criminosa; outras três sugerem militarização de guardas municipais e maior atuação de forças federais. PLs de partidos como NOVO, e de apoiadores bolsonaristas, aparecem nesse grupo.

Outros textos vão além do Código Penal, propondo reconhecimento e recompensa a agentes de segurança. O PL 6525 prevê certificado de reconhecimento, medalha de bravura e pagamento único a policiais em serviço.

Ceará aparece com 78 propostas em segurança pública, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro ocupam, respectivamente, as primeiras posições do ranking estadual.

Adoção de tecnologias bélicas como drones e helicópteros também é recorrente. Ao menos 17 projetos buscam ampliar o encarceramento por crimes ligados ao terrorismo, inclusive envolvendo menores.

Lideranças e desdobramentos

Laryssa Owsiany, pesquisadora do ISER, afirma que a mobilização resulta de agendas partidárias aliadas a acontecimentos recentes. Ela destaca o uso político da pauta como demonstração de trabalho.

Entre os autores com maior registro, destacam-se Pollon (85), André Fernandes (61), Kim Kataguiri e Capitão Alden, com 42 cada. Eles integram a Frente Parlamentar Evangélica e a de Segurança Pública.

Na Comissão de Segurança Pública, Pollon não integra o núcleo titular, que é formado majoritariamente por apoiadores do bolsonarismo. A atuação da comissão tem privilegiado o endurecimento penal.

Campanha e linguagem pública

Bilynskyj atua como facilitador de uma rede de parlamentares alinhados ao bolsonarismo. Kataguiri, ligado ao MBL, prepara candidaturas de novos nomes para 2026 e usa redes para defender religião aliada à política. Por sua vez, Alden vincula discurso religioso à defesa das forças de segurança.

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