- O cenário de 2026 tende à polarização, com o centro carregando parte da rejeição a Jair Bolsonaro, principalmente após a prisão dele.
- A rejeição aos grupos de centro tende a ficar alta, já que o filho de Bolsonaro aparece como representante da chapa presidencial.
- O anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato da direita consolidou esse campo, reduzindo espaços para candidaturas de centro e terceira via.
- O centro pode optar por focar em disputas estaduais, fortalecer siglas para governadores, deputados e senadores, ou negociar um provável vice.
- Candidato de centro tem chance apenas se conseguir dialogar com o cansaço dos eleitores e apresentar propostas que conectem com essa insatisfação, destacando mudanças.
O cenário eleitoral de 2026 tende a ficar marcado pela polarização, com parte do eleitorado de centro herdando parte da rejeição a Jair Bolsonaro, especialmente após a prisão do ex-presidente. A avaliação é de Silvio Cascione, mestre em ciência política e diretor para o Brasil da Eurasia Group, publicada no Mercado Aberto, do Canal UOL.
Segundo Cascione, a condenação de Bolsonaro transfere parte de sua rejeição para figuras de centro ou partidos de centro, abrindo espaço para disputas com ou sem o apoio do filho do ex-presidente, que lidera a chapa de direita. O analista aponta que esse movimento tende a dividir o campo do centro no segundo turno, entre quem apoia o Lula para evitar retorno do bloco bolsonarista e quem apoia o Bolsonaro para derrubar o PT.
Ainda conforme o especialista, o anúncio antecipado de Flávio Bolsonaro como candidato da direita consolidou esse campo, reduzindo o espaço para candidaturas de centro e para a chamada terceira via. Segundo ele, há partidos que parecem priorizar disputas estaduais, além de investir no fundo partidário e buscar nomes para compor a vice-presidência.
Cascione também ressalta que, mesmo com o governo em posição considerada razoável, a popularidade do campo bolsonarista não recuou significativamente nas sondagens em comparação com o fim do governo anterior. O centro, por ora, permanece bastante comprimido na agenda eleitoral.
Para o analista, candidatos de centro só teriam chance se souberem explorar o cansaço dos eleitores com a política tradicional e apresentarem propostas que dialoguem com essa insatisfação. A ideia é conectar o eleitor ao sentimento de fadiga e oferecer mudanças perceptíveis, ampliando o potencial de crescimento da terceira via.
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