- Moraes afirma não ter conversado com o presidente do Banco Central sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB.
- Segundo o ministro, as reuniões anteriores trataram apenas dos efeitos da Lei Magnitsky, e não da compra.
- O Banco Central informou que manteve reuniões com Moraes para discutir Magnitsky, afastando-se da operação Master-BRB.
- O BC barrou a transação em setembro por não haver viabilidade econômico-financeira; investigações da Polícia Federal apontam irregularidades no Master.
- Em novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master; o FGC foi acionado para indenizar correntistas e investidores, e a Justiça bloqueou bens dos controladores e ex-executivos.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou nesta terça-feira que não houve conversa com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a compra do Banco Master pelo BRB. A nota foi publicada após veículos reportarem contatos entre Moraes e Galípolo em pelo menos quatro ocasiões para tratar do negócio.
Moraes disse que, em nenhuma reunião, foi discutida a aquisição nem houve pressão para ela ocorrer. Ele também informou ter realizado duas reuniões em seu gabinete com o objetivo de discutir efeitos da Lei Magnitsky.
O Banco Central informou, por sua vez, que manteve encontros com Moraes para tratar dos impactos da Lei Magnitsky, sem relação com a operação Master-BRB. Em nota, o BC reiterou que as reuniões buscaram apenas esclarecer efeitos da lei, e não influenciar decisões sobre o negócio.
O que é a Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky é uma norma norte-americana para punir autoridades estrangeiras. Sanções podem incluir bloqueio de bens e restrições a negócios com entidades dos EUA.
A sanção de Moraes e de sua esposa pela Magnitsky ocorreu em julho e foi retirada antes deste mês, após tratativas entre Lula e Donald Trump. Notícias indicam que um escritório de advocacia da esposa tinha contrato relacionado ao Master.
Segundo reportagens, Moraes teria buscado informações sobre a análise do BC para a venda do Master ao BRB. O BC teria apontado indícios de fraudes na operação, o que, segundo a publicação, ele contestou ao defender a aprovação da venda.
O Master foi liquidado pelo BC em novembro, com a diretoria afastada e o FGC acionado para indenizar correntistas e investidores. Investigações continuam para apurar responsabilidades civis e criminais envolvendo controladores e ex-executivos.
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