- Um drone monitorou um apartamento no Brooklin, São Paulo, em julho de 2022, durante a polarização política entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
- O morador do 16.º andar ficou surpreso ao ver seu nome na agenda apreendida da Polícia Federal com o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
- As anotações de Heleno foram apresentadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, durante o julgamento de Bolsonaro e outros acusados de ações golpistas.
- O ex-deputado Vicente Cândido foi um dos monitorados, e sua inclusão na agenda gerou questionamentos sobre a razão do monitoramento.
- A agenda também continha referências à Polícia Federal e menções a “grupos de manifestantes chilenos” que poderiam atuar no Brasil.
Um drone monitorou um apartamento no Brooklin, São Paulo, em julho de 2022, durante a polarização política entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. O morador do 16.º andar, que não sabia do monitoramento, se surpreendeu ao ver seu nome na agenda apreendida da Polícia Federal com o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
As anotações de Heleno foram apresentadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante o julgamento de Bolsonaro e outros sete acusados de ações golpistas. Heleno, um dos réus, fez uma declaração polêmica em uma reunião ministerial, sugerindo que “se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”.
O ex-deputado Vicente Cândido (PT) foi um dos nomes monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), segundo a agenda de Heleno, que o comparou a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Cândido, que organizou eventos de arrecadação para a campanha de Lula, afirmou não entender a razão de seu nome estar na agenda.
Anotações Enigmáticas
Além de Cândido, a agenda continha menções a outros políticos, como o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o deputado Alexandre Padilha. Cardozo considerou as anotações “absolutamente incompreensíveis” e pediu explicações a Heleno. O ex-procurador-geral da República, Augusto Aras, também foi citado, mas negou qualquer aproximação com a Abin.
O caderno de Heleno ainda continha referências à Polícia Federal, com a anotação “preparando uma sacanagem grande”, e uma menção a “grupos de manifestantes chilenos” que poderiam atuar no Brasil. Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, destacou a importância de um julgamento sereno e sem pressa, evitando transformar Bolsonaro em mártir.
Nos bastidores, há preocupações no governo Lula sobre a repercussão do julgamento e a possibilidade de um impacto negativo na imagem do ex-presidente. A situação continua a gerar debates acalorados sobre a democracia e a justiça no Brasil.
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