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Brasil registra mais de 100 mortes por envenenamento entre 2020 e 2024

Aumento alarmante de homicídios por envenenamento no Brasil revela padrões de violência familiar e desafios nas investigações.

Alimentos doados, bolo de pote e ovo da Páscoa contaminados mataram Manoel da Silva, Ana Luiza Neves e Evelyn Silva (Foto: Reprodução)
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  • Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou 107 homicídios por envenenamento, com a maioria dos casos envolvendo membros da família da vítima.
  • A faixa etária mais afetada é de homens entre 21 e 40 anos.
  • Recentemente, casos como a morte de um jovem em São Bernardo do Campo (SP) e de uma adolescente em Itapecerica da Serra (SP) reacenderam a discussão sobre esses crimes.
  • Especialistas apontam que as motivações são geralmente vingança e maldade, com autores que não apresentam histórico de agressividade.
  • A investigação de mortes por envenenamento é desafiadora, pois a detecção do veneno pode ser dificultada pelo tempo entre a ingestão e os exames toxicológicos.

Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou 107 homicídios por envenenamento, com a maioria dos casos envolvendo membros da família da vítima. Os dados revelam que a faixa etária mais afetada é de homens entre 21 e 40 anos. Recentemente, casos chocantes, como a morte de Lucas da Silva Santos, de 19 anos, em São Bernardo do Campo (SP), reacenderam a discussão sobre esse tipo de crime. O jovem foi envenenado com veneno de rato, colocado pelo padrasto em um bolinho de mandioca.

Outros incidentes alarmantes ocorreram em 2025, como a morte da adolescente Ana Luiza de Oliveira Neves, de 17 anos, após consumir um bolo de pote em Itapecerica da Serra (SP), e a tragédia em Imperatriz (MA), onde Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, foi envenenada com um ovo de Páscoa. Em um caso no Piauí, Manoel Leandro da Silva, de 18 anos, e um bebê morreram após ingerirem alimentos doados.

Motivações e Perfil dos Autores

Os especialistas apontam que esses crimes geralmente têm motivações de vingança e maldade, com autores que apresentam comportamentos discretos e sem histórico de agressividade. O psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro destaca que a maioria das vítimas é do sexo masculino, com 78% dos envenenados entre 2020 e 2024 sendo homens. Os estados com mais registros de homicídios por envenenamento são a Bahia e São Paulo.

Desafios na Investigação

Provar que uma morte foi causada por envenenamento é um desafio. O médico legista Victor Gianvecchio explica que o tempo entre a ingestão da substância e a realização de exames toxicológicos pode dificultar a detecção do veneno. Em muitos casos, a morte pode parecer natural, complicando a investigação. O veneno de rato, como o chumbinho, é frequentemente utilizado, sendo vendido irregularmente no país.

Além de venenos, outras substâncias, como drogas e gases, também foram identificadas em homicídios. O diretor do Laboratório Central de Polícia Técnica da Bahia, Jacob Cabús, menciona que a utilização de aldicarbe, um agrotóxico, é comum em casos de envenenamento. A pena para quem comete homicídio por envenenamento pode chegar a 30 anos, dependendo da intenção do autor. A advogada Jenifer Moraes ressalta que é necessário comprovar a intenção de matar para que a pena máxima seja aplicada.

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