- Dois ex-altos cargos da Companhia de Jesus, Marcos Recolons e Ramón Alaix, foram acusados de encobrir abusos sexuais do sacerdote Alfonso Pedrajas.
- O caso é parte de uma investigação iniciada em 2018 pelo jornal EL PAÍS sobre pederastia na Igreja espanhola.
- Durante audiência em Cochabamba, na Bolívia, em 25 de outubro de 2023, ambos negaram as acusações, afirmando desconhecimento dos crimes até a publicação do diário de Pedrajas em abril de 2023.
- O diário contém mais de 383 páginas e revela que Pedrajas admitiu ter abusado de pelo menos 85 menores entre 1972 e 2000, com a proteção de seus superiores.
- A investigação da Fiscalía boliviana inclui 18 denúncias de vítimas, 21 evidências materiais e 52 testemunhos que reforçam a responsabilidade dos jesuítas.
Investigação sobre Pederastia na Igreja Espanhola Avança com Acusações em Cochabamba
Dois ex-altos cargos da Companhia de Jesus, Marcos Recolons e Ramón Alaix, foram acusados de encobrir abusos sexuais cometidos pelo sacerdote Alfonso Pedrajas. O caso, que remonta a 2018, quando o jornal EL PAÍS iniciou uma investigação sobre pederastia na Igreja espanhola, ganhou novos desdobramentos em Cochabamba, na Bolívia, onde os acusados compareceram ao tribunal.
Durante a audiência, realizada em 25 de outubro de 2023, Recolons, de 81 anos, e Alaix, de 83, negaram as acusações. Ambos afirmaram que não tinham conhecimento dos crimes de Pedrajas até a publicação de seu diário em abril de 2023. O documento, que ficou oculto por anos, revela que Pedrajas admitiu ter abusado de pelo menos 85 menores entre 1972 e 2000, com a proteção de seus superiores.
Detalhes do Caso
A investigação da Fiscalia boliviana foi desencadeada após a revelação do diário, que contém mais de 383 páginas. Nele, Pedrajas descreve sua “problemática” e menciona Recolons e Alaix, sugerindo que eles estavam cientes de suas ações. O diário inclui termos como “represão religiosa” e “casos isolados”, evidenciando a tentativa de minimizar os abusos.
As acusações de encobrimento são apoiadas por 18 denúncias de vítimas, cujos relatos foram corroborados por laudos psicológicos. Os documentos também incluem 21 evidências materiais e 52 testemunhos, que reforçam a responsabilidade dos jesuítas em proteger as crianças sob sua tutela.
Implicações Legais
Os dois ex-provinciais da ordem, que ocuparam cargos de liderança durante os períodos em que surgiram as denúncias contra Pedrajas, enfrentam sérias implicações legais. A Fiscalia concluiu que eles tinham a obrigação de investigar as alegações, mas não tomaram as medidas necessárias para proteger as vítimas, que eram menores de idade.
O caso continua a ser um marco na luta contra a impunidade dentro da Igreja, refletindo a necessidade de responsabilização por abusos sexuais. A audiência em Cochabamba é um passo significativo na busca por justiça para as vítimas de Pedrajas e outros casos de pederastia na instituição religiosa.
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