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Igreja mexicana se opõe a negociações com o narcotráfico para enfrentar a violência

Igreja Católica no México reafirma que não dialogará com o crime organizado, apesar de declarações do Arcebispo sobre a necessidade de conversas.

Sacerdote Filiberto Velázquez, diretor do Centro de Direitos Humanos Minerva Bello, Guerrero, em setembro de 2023. (Foto: Mónica González Islas)
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  • A Igreja Católica no México negou estar formando sacerdotes para dialogar com líderes do crime organizado.
  • A polêmica surgiu após um workshop promovido pela Universidade Pontifícia, que visava capacitar religiosos em habilidades de negociação.
  • O Arcebispo de Morelia, Carlos Garfias, defendeu a necessidade de conversas com o narcotráfico para reduzir a violência em Michoacán.
  • A hierarquia da Igreja afirmou que iniciativas de diálogo são responsabilidade do Estado e não representam a posição oficial da Igreja.
  • O Diálogo Nacional por Paz, coordenado pelo teólogo Jorge Atilano, busca promover segurança e justiça sem envolver diretamente grupos criminosos.

A Igreja Católica no México negou a formação de sacerdotes para dialogar com líderes do crime organizado, após a repercussão de um workshop promovido pela Universidade Pontifícia. O evento visava capacitar religiosos em habilidades de negociação, mas gerou polêmica, especialmente após declarações do Arcebispo de Morelia, Carlos Garfias, que defendeu a necessidade de conversas com o narcotráfico para mitigar a violência em estados como Michoacán.

Garfias expressou disposição para dialogar com a presidente Claudia Sheinbaum sobre o tema, mas a hierarquia da Igreja se distanciou dessa abordagem, afirmando que tais iniciativas são responsabilidade do Estado. O teólogo Jorge Atilano, coordenador do Diálogo Nacional por Paz, destacou que a proposta de Garfias não representa a posição oficial da Igreja. Ele enfatizou que o foco é promover encontros de segurança e justiça, sem envolver diretamente grupos criminosos.

Contexto da Violência

A Igreja Católica tem uma longa história de atuação em áreas afetadas pela violência no México, defendendo os vulneráveis e criticando a inação governamental. Nos últimos anos, membros da Igreja se tornaram alvos de ameaças e assassinatos, como o caso de dois jesuitas mortos em 2022 e um sacerdote em Chiapas em 2023. Esses eventos intensificaram as críticas à política de segurança do governo, especialmente sob a administração de Andrés Manuel López Obrador.

A relação entre a Igreja e o governo de Sheinbaum, que sucedeu López Obrador, tem sido marcada por tentativas de reconstruir laços. A presidente, que já se reuniu com líderes religiosos, tem buscado apoio da Igreja em sua campanha de desarmamento, utilizando locais sagrados como a basilica de Guadalupe para a entrega de armas.

Iniciativas de Paz

O Diálogo Nacional por Paz, iniciado por grupos religiosos há três anos, visa unir diversas instituições e comunidades para compartilhar experiências e metodologias que promovam a paz. Atilano mencionou que a Igreja está colaborando com o governo em projetos de justiça cívica, mas reafirmou que as iniciativas não incluem diálogos diretos com o narcotráfico.

A Igreja continua a ser uma voz ativa contra a violência e a pobreza no México, refletindo a profunda religiosidade do país. Apesar da aconfessionalidade do Estado, a influência da Igreja na política e na sociedade permanece significativa, com líderes religiosos frequentemente levantando questões sobre segurança e direitos humanos.

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