- A ministra do Trabalho e Segurança Social de Cuba, Marta Elena Feitó, renunciou após afirmar que “não há mendigos” no país.
- Sua declaração, feita em uma sessão parlamentar no dia 14 de outubro, gerou forte indignação pública.
- O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou a falta de sensibilidade nas palavras de Feitó e reconheceu a vulnerabilidade social existente.
- Cuba enfrenta uma grave crise econômica, com inflação acumulada de 190,7% entre 2018 e 2023, resultando em 350 mil pessoas vivendo em condições vulneráveis.
- A renúncia de Feitó reflete a crescente frustração da população diante da situação econômica e social do país.
A ministra do Trabalho e Segurança Social de Cuba, Marta Elena Feitó, renunciou ao cargo após declarações polêmicas sobre a pobreza no país. Durante uma sessão parlamentar, em 14 de outubro, ela afirmou que “não há mendigos” em Cuba, mas sim pessoas que se disfarçam de mendigos. Essa fala gerou forte repercussão e indignação pública, levando a uma reprimenda do presidente Miguel Díaz-Canel.
Díaz-Canel criticou a falta de sensibilidade nas declarações de Feitó, ressaltando que a realidade social do país não pode ser ignorada. Ele afirmou que a revolução deve cuidar de todos e que é fundamental reconhecer a existência de cidadãos em “situação de vulnerabilidade”. A renúncia de Feitó foi aceita rapidamente pelas autoridades do Partido Comunista, que a consideraram desconectada da realidade.
Crise Econômica em Cuba
Cuba enfrenta uma das piores crises econômicas em décadas, com uma inflação acumulada de 190,7% entre 2018 e 2023. A escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis tem se intensificado, resultando em 189 mil famílias e 350 mil pessoas vivendo em condições vulneráveis. A situação se agravou após a pandemia de covid-19, que acelerou um êxodo sem precedentes da população.
As declarações de Feitó foram amplamente criticadas nas redes sociais, onde internautas ironizaram suas palavras. O economista Pedro Monreal comentou sarcasticamente que talvez também houvesse pessoas “disfarçadas de ministra”. A presença de pessoas em situação de rua tem aumentado em diversas cidades cubanas, evidenciando a gravidade da crise social.
Reações Governamentais
O presidente Díaz-Canel dedicou parte de seu discurso no Parlamento para corrigir publicamente a ministra, enfatizando que a falta de empatia é inaceitável. Ele reconheceu que as pessoas em situação de rua são reflexos das desigualdades sociais e dos problemas acumulados que o país enfrenta. A situação econômica crítica, marcada por apagões diários e a deterioração dos serviços de saúde, continua a ser um desafio significativo para o governo cubano.
A renúncia de Feitó e as reações a suas declarações refletem a crescente frustração da população cubana diante da crise. O governo, que historicamente minimiza a pobreza, agora se vê pressionado a reconhecer a realidade enfrentada por muitos cidadãos.
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