- Em Cuba, cultos evangélicos ao ar livre têm crescido, especialmente entre os jovens, em resposta à crise econômica e à pandemia.
- Locais como a Plaza del Cristo, em Havana, se tornaram pontos de reunião para orações e busca de esperança.
- A Constituição de 1976 impôs um laicismo que limitava a prática religiosa, mas a situação começou a mudar com a flexibilização do governo após a queda da União Soviética.
- Especialistas, como Pedro Alvarez Sifontes, observam um aumento no número de evangélicos nos últimos cinco anos, impulsionado pela busca de apoio em tempos difíceis.
- Apesar do crescimento, ainda existem tensões entre grupos religiosos e o Estado, especialmente com a Igreja Católica e religiões de matriz africana.
Em Cuba, um fenômeno religioso tem ganhado força: cultos evangélicos ao ar livre. Jovens se reúnem em locais como a Plaza del Cristo, em Havana, para orar e buscar esperança em meio à grave crise econômica e à pandemia. Este aumento na prática religiosa é um reflexo de uma mudança significativa na sociedade cubana, que historicamente foi marcada por um Estado ateu desde a Revolução de 1959.
A Constituição de 1976 estabeleceu um laicismo que limitava a expressão da fé, mas especialistas apontam um crescimento notável no número de evangélicos nos últimos cinco anos. Pedro Alvarez Sifontes, pesquisador da Universidade de Havana, destaca que a crise de saúde e a deterioração econômica têm levado muitos cubanos, especialmente os jovens, a se voltarem para a fé. O teólogo Eliecer Portal afirma que “momentos de crise chamam as pessoas à fé, principalmente quando sentem que suas vidas estão em jogo”.
Crescimento das Igrejas Evangélicas
Embora não existam dados oficiais sobre a quantidade de evangélicos, a presença de igrejas tem se tornado cada vez mais visível. Cultos em praças e orações públicas refletem uma nova era de expressão religiosa em um país que, por décadas, restringiu a prática da fé. A flexibilização da postura do governo em relação à religião, especialmente após a queda da União Soviética, permitiu um renascimento da fé cristã. A Constituição de 2019 garantiu a liberdade religiosa, embora as marcas do passado ainda sejam sentidas.
As novas igrejas, muitas delas influenciadas por movimentos pentecostais e neopentecostais, têm atraído fiéis com promessas de prosperidade e apoio comunitário. Daniel, um pastor em Havana, afirma que as pessoas buscam ajuda para encontrar Cristo e aliviar suas dores. As congregações oferecem um espaço de acolhimento e pertencimento, características que têm atraído muitos cubanos em busca de esperança.
Desafios e Tensões
Apesar do crescimento, a relação entre religião e Estado ainda apresenta desafios. Sifontes menciona que, embora a liberdade religiosa tenha avançado, preconceitos e tensões persistem, especialmente com a Igreja Católica e religiões de matriz africana. A atuação política dos grupos evangélicos também tem se intensificado, com algumas lideranças se posicionando em questões sociais e políticas, como o recente conflito entre Hamas e Israel.
A ascensão dos evangélicos em Cuba representa uma transformação significativa na espiritualidade da ilha. A busca por fé e comunidade em tempos de crise reflete uma nova dinâmica social, onde a religiosidade, embora reprimida no passado, agora encontra espaço para se manifestar de forma mais aberta e visível.
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