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INSS propõe ação judicial contra quem contestar documentos de associação

A devolução de descontos indevidos nas aposentadorias do INSS exige que segurados comprovem contestação, aumentando a burocracia e a necessidade de ações judiciais.

Sede do INSS, em Brasília (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
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  • O governo anunciou um acordo para devolver descontos indevidos nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
  • O acordo afeta segurados que contestaram a adesão a associações e sindicatos.
  • Se uma associação comprovar a legitimidade do desconto, o segurado poderá contestar, mas muitos precisarão recorrer à Justiça para reaver os valores.
  • Aproximadamente 2,27 milhões de aposentados e pensionistas que não receberam resposta das entidades em quinze dias poderão aderir ao acordo e receber os valores administrativamente.
  • O primeiro lote de pagamentos está previsto para o dia 24 de julho.

O governo anunciou um acordo para a devolução de descontos indevidos nas aposentadorias do INSS, afetando segurados que contestaram a adesão a associações e sindicatos. O acordo estabelece que, caso uma associação comprove a legitimidade do desconto, o segurado poderá contestar, mas muitos precisarão recorrer à Justiça para reaver os valores.

Se a documentação apresentada pela associação for considerada válida, o segurado poderá alegar que não autorizou o desconto, desde que apresente provas que sustentem sua contestação. Em casos de indícios de falsificação, o Ministério Público Federal (MPF) será notificado, e a associação terá cinco dias úteis para devolver os valores. Se não o fizer, o INSS encerrará a análise e orientará o aposentado a buscar assistência jurídica.

Shynaide Mafra, presidente da Comissão Especial de Direito Previdenciário da OAB Nacional, destaca que a decisão de encerrar o processo administrativo em casos controversos foi necessária para viabilizar o acordo. A realização de perícias técnicas para verificar a autenticidade de documentos seria inviável, dada a complexidade e os custos envolvidos.

O professor da FGV, Luís Lopes Martins, alerta que o acordo transfere o ônus da prova para os beneficiários, o que pode excluir muitos aposentados da restituição. Ele critica a possibilidade de que a simples indicação de um desconto legítimo pela associação leve o caso à Justiça, tornando o processo mais burocrático e difícil.

Cerca de 2,27 milhões de aposentados e pensionistas que contestaram descontos, mas não receberam resposta das entidades em 15 dias, poderão aderir ao acordo e receber os valores na via administrativa. O primeiro lote de pagamentos está previsto para o dia 24 de julho. O INSS recebeu 3,75 milhões de contestações, das quais quase 60% não tiveram resposta.

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