- O assassinato do jornalista Lourenço Veras ocorreu em fevereiro de 2020 em Pedro Juan Caballero, Paraguai.
- A investigação do crime foi marcada por negligência das autoridades, resultando em apenas uma detenção sem condenação.
- Documentos da Alianza Paraguay revelaram falhas na investigação do narcotraficante Minotauro, suspeito de ser o mandante do assassinato.
- A Justiça paraguaia ignorou pedidos de colaboração do Brasil, dificultando a elucidação do caso.
- Desde 1991, 21 jornalistas foram assassinados no Paraguai, com a maioria dos crimes sem solução, evidenciando a impunidade e a corrupção no sistema judicial.
O assassinato do jornalista Lourenço Veras, ocorrido em fevereiro de 2020 em Pedro Juan Caballero, Paraguai, expõe a grave crise da liberdade de imprensa no país. A investigação do crime, marcada por negligência das autoridades, resultou em apenas uma detenção sem condenação até o momento. Veras, conhecido por suas reportagens sobre o crime organizado, foi alvejado em sua casa por homens armados.
Recentemente, documentos da Alianza Paraguay, um consórcio de investigação, revelaram que a Justiça paraguaia falhou em investigar adequadamente o narcotraficante Minotauro, suspeito de ser o mandante do assassinato. As autoridades ignoraram pedidos de colaboração do Brasil, dificultando a elucidação do caso. Cintia González, viúva de Veras, expressou sua frustração, afirmando que “ninguém investiga”.
A cidade de Pedro Juan Caballero concentra cerca de um terço dos homicídios do Paraguai, apesar de representar menos de 2% da população. O crime organizado, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), tem uma forte presença na região, exacerbando a violência e colocando jornalistas em risco. Desde 1991, 21 jornalistas foram assassinados no Paraguai, com a maioria dos crimes permanecendo sem solução.
A Alianza Paraguay também destacou que a Fiscalia paraguaia tem sistematicamente ignorado solicitações de cooperação internacional em investigações sobre narcotráfico e corrupção. Dados revelam que apenas 12% dos pedidos de assistência jurídica enviados pelo Brasil foram respondidos, e apenas 7% foram adequadamente atendidos. A falta de ação das autoridades e a corrupção dentro do sistema judicial criam um ambiente hostil para a liberdade de expressão.
O caso de Veras é emblemático da impunidade que permeia o Paraguai. A inércia nas investigações e a corrupção institucional dificultam o trabalho dos jornalistas, que enfrentam riscos crescentes em um país com altos índices de criminalidade.
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