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Violência e abusos marcam a nova política migratória da República Dominicana

Crescem os relatos de abusos sexuais por agentes de migração na República Dominicana, enquanto a repressão a haitianos se intensifica.

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Ruth, uma mulher haitiana, vive com medo constante de ser deportada para o seu país, onde enfrentou violência e pobreza. Ela relata que agentes de migração a abusaram sexualmente em troca de não a deportarem. Desde que o governo dominicano, liderado por Luis Abinader, intensificou a política migratória em abril, muitos migrantes se isolam em casa, temendo as redadas que resultaram na deportação de quase 15 mil pessoas em apenas 12 dias. Organizações de direitos humanos denunciam que a migração é vista como um problema, e as medidas do governo, que incluem a construção de um muro na fronteira e a deportação de pessoas em hospitais, são consideradas populistas e prejudiciais. Apesar das dificuldades, muitos setores, como a construção e a agricultura, dependem da mão de obra haitiana, que é frequentemente explorada. As deportações e abusos têm gerado um clima de terror, com relatos de mulheres sendo forçadas a se submeter a abusos sexuais por agentes. As escolas também sentem o impacto, com a presença de crianças haitianas diminuindo devido ao medo. Enquanto isso, o turismo continua a ser uma prioridade para o governo, que busca manter a imagem do país para os turistas, mesmo que isso signifique sacrificar os direitos dos migrantes.

A República Dominicana enfrenta uma crescente crise migratória, especialmente em relação à população haitiana. A situação se agravou com políticas governamentais rígidas e deportações em massa, criando um clima de medo nas comunidades migrantes.

Relatos recentes indicam aumento de abusos sexuais por agentes de migração contra mulheres haitianas. Desde o anúncio de um endurecimento na política migratória pelo governo de Luis Abinader, em abril, muitos migrantes têm se escondido em suas casas. Apenas nos primeiros doze dias do mês, 14.874 pessoas foram deportadas.

O Coletivo Migración e Direitos Humanos aponta que a migração é vista como um problema, não como uma realidade. A ativista Guadalupe Valdez critica as medidas populistas adotadas pelo governo, que incluem a construção de um muro na fronteira e novos protocolos em hospitais que incentivam a deportação de pacientes em situação irregular.

Cerca de 80% dos trabalhadores da construção civil na República Dominicana são haitianos, muitos em situação informal. O presidente da Confederação Dominicana de Micro, Pequenas e Médias Empresas de Construção, Eliseo Cristopher, defende a regularização desses trabalhadores para evitar a paralisação do setor.

As novas medidas migratórias têm gerado críticas, com ativistas afirmando que elas consolidam um regime de apartheid contra haitianos. A situação se agrava com relatos de mulheres sendo forçadas a abusos sexuais em troca de não serem deportadas.

A líder comunitária Maria, que mantém uma escola para crianças migrantes, observa que a frequência escolar caiu drasticamente desde a implementação das novas políticas. Cerca de 7.000 haitianos retornaram voluntariamente ao seu país em 2024, refletindo o impacto das deportações.

O turismo, vital para a economia dominicana, também é afetado pela crise migratória. O ministro de Turismo, David Collado, destaca a importância do setor, que representa 15% do PIB do país. No entanto, a deportação de trabalhadores haitianos pode comprometer essa indústria, que depende fortemente da mão de obra migrante.

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