Estudantes muçulmanas na Nigéria enfrentam dificuldades para usar o niqab em universidades, especialmente em cursos de saúde. Musliah Tunmise, de 18 anos, desistiu de estudar Educação Física na Universidade do Estado de Ekiti porque não podia usar o véu durante as aulas. Ela preferiu mudar para Biologia, onde a vestimenta não era um problema. Adam Hikimot também teve uma experiência negativa ao tentar estudar Enfermagem na Universidade Prince Abubakar Audu. Durante o processo de admissão, foi obrigada a tirar o niqab na frente de outras pessoas, o que a deixou envergonhada. Após ser admitida, decidiu não usar mais o niqab para evitar mais constrangimentos. A situação é comum, com muitas universidades nigerianas proibindo o uso do niqab, o que leva a discriminação e assédio. Em 2021, a Universidade Federal de Abeokuta proibiu o uso do niqab, resultando em protestos de estudantes. Especialistas pedem mais instituições que respeitem a liberdade de vestimenta das mulheres muçulmanas, que é garantida pela Constituição do país.
Estudantes muçulmanas abandonam cursos em universidades nigerianas devido à proibição do uso de véu
A proibição do uso de niqab em cursos de Educação Física e Enfermagem em universidades nigerianas tem levado estudantes muçulmanas a desistirem de seus sonhos acadêmicos. Recentemente, Musliah Tunmise e Adam Hikimot deixaram suas respectivas áreas de interesse por não aceitarem comprometer suas crenças religiosas.
Musliah Tunmise, de dezoito anos, decidiu não seguir a carreira de professora de Educação Física na Faculdade de Educação do Estado de Osun, vinculada à Universidade do Estado de Ekiti. Ela relatou que foi informada de que não poderia usar niqab durante as aulas práticas, que exigem roupas que não estão de acordo com seus valores islâmicos. “Prefiro abandonar a ideia de estudar do que renunciar à minha religião”, afirmou Tunmise, que optou por Biologia, onde o uso do véu não é uma barreira.
A discussão sobre o uso do véu remonta à década de 1980, com registros de conflitos entre estudantes e instituições de ensino. Um estudo de dois mil e vinte, realizado pelo Centro de Assuntos Públicos Muçulmanos (MPAC) da Nigéria, revelou que 87,6% das mulheres muçulmanas que usam hiyab e niqab enfrentam discriminação em ambientes educacionais. Em dezembro de dois mil e vinte e dois, a organização Muslim Rights Concern (MURIC) denunciou a opressão de estudantes muçulmanas em faculdades de medicina.
Adam Hikimot, que desejava estudar Enfermagem na Universidade Prince Abubakar Audu, também enfrentou dificuldades. Durante o processo de admissão, foi obrigada a retirar o niqab em público, o que a deixou envergonhada. “Me senti humilhada diante de tantos candidatos”, recordou Hikimot. Após ser admitida, decidiu não usar mais o véu para evitar constrangimentos.
A Universidade Federal de Abeokuta, em Ogun, proibiu o uso do niqab em um memorando interno, resultando em casos de assédio a estudantes muçulmanas. “Protestamos e a direção cedeu à pressão”, declarou Habibulah Adekunle, ex-presidente do Governo de União de Estudantes da universidade. O médico Abubakar Mahmud, do Hospital Federal de Ensino de Kebbi, sugeriu a criação de mais instituições que respeitem a vestimenta das mulheres muçulmanas.
A Constituição nigeriana garante a liberdade de expressão, incluindo a forma de vestir, conforme os artigos 38 e 39. A luta por direitos das estudantes muçulmanas continua, enquanto as universidades enfrentam a pressão por mudanças em suas políticas de vestimenta.
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